O mundo assistiu com horror ao vídeo que mostrava os jihadistas do Estado Islâmico a destruírem estátuas, frisos e relíquias arqueológicas. Algumas delas datadas do século VII a.C., do museu da Civilização em Mossul, no Iraque. Mas, na realidade, a maior parte das obras ali expostas eram réplicas. "Eram cópias. As originais estão todas aqui", indicou um dos responsáveis de Bagdad à rádio alemã Deutsche Welle.

No vídeo, divulgado a meio de Fevereiro, via-se os militantes do grupo terrorista a derrubarem estátuas e a utilizarem martelos pneumáticos para destruírem outras relíquias. Os combatentes referiam-se às peças, parte do Património Mundial, como "ídolos sem valor".

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Fawzye al-Mahdi, chefe do departamento de antiguidade da autoridade do património cultural iraquiano, parece dar-lhes alguma razão. "Nenhum dos artefactos destruídos no vídeo era original", afirmou. Os especialistas concordam com a afirmação de al-Mahdi. "A razão pela qual as estátuas desmoronam tão facilmente é porque são feitas de gesso", explicou Mark Altaweel, do Instituto de Arqueologia da Universidade de College, em Londres, à cadeia televisiva Channel 4.

Atheel Nuafi, governador de Mossul no exílio, confirmou que muitos dos objectos destruídos não eram originais mas frisou que houve muitos outros que foram mesmo destruídos pela onda de violência do Estado Islâmico. "Havia dois objectos que eram reais e que os militantes destruíram", declarou à televisão iraquiana. "Uma era um touro alado e a outra era o Deus de Rozhan".

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O governador disse ainda suspeitar que os jihadistas tenham roubado pelo menos sete objectos antes de terem destruído o museu. Aliás, a UNESCO foi mesmo alertada pelas autoridades iraquianas do desaparecimento de algumas peças.

O Museu de Mossul tem a segunda maior colecção de relíquias antigas do Iraque. Tinha dezenas de milhares de objectos de Nínive e outras antigas cidades do Norte da Mesopotâmia. No Verão de 2014, quando o Estado Islâmico tomou o controlo da cidade, começou a sua onda destruidora deste património de valor incalculável. #História #Terrorismo