O governo da República Democrática do Congo quer alterar as fronteiras do Parque Nacional de Virunga para permitir a exploração de petróleo. A procura do ouro negro na região remonta a 2010, quando a empresa petrolífera britânica SOCO deu início à exploração, contra as críticas e condenações de vários organismos internacionais, como a World Wide Fund for Nature (WWF). O governo da República Democrática do Congo afirmou que já está em conversações com a UNESCO para alterar as fronteiras daquele que é o parque natural mais antigo de África.

Património Mundial da Humanidade, o Parque Nacional de Virunga é um dos locais com maior diversidade ecológica do planeta, ainda que, nas últimas décadas, tenha sofrido bastante com os conflitos entre os grupos armados do país.

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É também conhecido como o habitat de uma das espécies mais ameaçadas do planeta, os gorilas-das-montanhas. Os dados mais recentes indicam que apenas sobrevivem cerca de 880 gorilas desta espécie, 300 dos quais habitam no parque localizado no leste do Congo.

Matata Poyo, primeiro-ministro da República do Congo, justificou a atitude do seu governo à BBC: "é necessário encontrar um meio-termo para ver como preservar a #Natureza, mas também ganhar lucro das reservas para que as comunidades locais possam ver as suas condições de vida melhorarem". Joseph Pili Pili, oficial sénior do Ministério de Hidrocarbonetos congolês, foi ainda mais longe, respondendo às críticas das organizações defensoras dos #Animais e protecção do ambiente: "Vocês, europeus, comeram todos os vossos animais e agora pedem-nos para virar as costas a dinheiro que o país desesperadamente precisa, que o povo desesperadamente precisa, para proteger animais?".

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Organizações dos direitos humanos, nomeadamente a OCDE, também têm estado a acompanhar a situação. Segundo a estação pública britânica, o subempreiteiro da SOCO pagou a tropas atribuídas pelo governo do Congo à empresa petrolífera para afastar qualquer opositor à exploração de petróleo na área, recorrendo à violência. A zona de exploração localiza-se perto do Lago Edward, da qual cerca de 30 000 locais dependem para sobreviver. Durante os testes da empresa petrolífera, que decorreram entre abril e junho de 2014, o acesso ao lago foi encerrado. Alguns pescadores, que preferiram manter o anonimato, denunciaram à BBC que chegaram a ser espancados pelas forças de segurança da SOCO. "Eu protestei e depois o homem branco usou o seu walkie-talkie para chamar uma lancha cheia de soldados. Eles levaram-me e espancaram-me, e disseram-me que não tinha o direito de responder ao homem branco, que não tinha direito de pescar ali", confessou um dos pescadores da zona, episódio que não foi confirmado pela SOCO.

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Quanto à alteração das fronteiras do parque, a UNESCO desmentiu ter recebido qualquer pedido formal por parte do governo congolês. A alteração dos 7800 quilómetros quadrados que hoje compõem o Parque Nacional de Virunga permitiria a exploração de petróleo no Lago Edward, colocando em causa a estabilidade de um dos mais diversificados terrenos do planeta Terra e palco turístico do Congo. No entanto, o governo Ponyo está convencido que a exploração traria lucros superiores aos do turismo e, como tal, maiores benefícios para a população local.