O chefe da primeira missão anual do FMI a Cabo Verde, Ulrich Jacoby, afirmou que o futuro será bastante risonho para o país lusófono, apesar de em 2014 ter passado dificuldades gigantes. A principal razão esteve relacionada com a ausência da retoma económica na Europa, algo de que o país depende, mas há que ter também em conta ainda o efeito dos casos de Ébola, que fizeram diminuir a receita do turismo. Para além disso, há que elogiar as medidas do Banco de Cabo Verde, que estimularam a economia, bem como o aumento das exportações, principalmente ao nível do pescado e a retoma no investimento estrangeiro directo.

Para 2015 o chefe da missão do FMI antecipa um grande aceleramento no crescimento da economia cabo-verdiana, dada a recuperação que se vai sentir no turismo e no investimento estrangeiro e a descida do preço do petróleo.

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Porém, Jacoby alertou para dois problemas que podem vir a acontecer: a dívida pública, que deverá atingir os 112,7% do PIB, e ainda o défice que poderá também disparar.

O FMI elogiou ainda as estratégias do Estado daquele país no que à política de transportes aéreos e terrestres diz respeito, os empréstimos efectuados para melhorar as infra-estruturas existentes e para criá-las em locais onde não existiam.

"O investimento público e as reformas no sector económico são para continuar, agora o sector privado terá que fazer o mesmo para não perder o comboio. Há muitas oportunidades que vão surgir nos próximos anos", afirmou Ulrich Jacoby

A ministra das Finanças de Cabo Verde, Cristina Duarte, aproveitou para a agradecer os elogios e recomendações do FMI. "Estas palavras do FMI são um estímulo para nós.

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Sabemos agora que estamos no bom caminho, finalmente. Temos a perspectiva de um crescimento a rondar os 3% já neste ano", disse.

Quanto à dívida pública e défice, Cristina Duarte referiu que o Governo vai diminuir e reprogramar, de forma séria e pragmática, os investimentos públicos sem nunca prejudicar o crescimento económico do país. "Sabemos que ainda falta fazer muita coisa, e que as reformas económicas, em particular a fiscal e a da gestão portuária, bem como da energética, estão em cima da mesa. Serão tratadas nos próximos tempos com pinças para que nada falhe e os resultados de 2015 sejam positivos", afirmou a responsável pela pasta das finanças.