Foi no final do mês passado que os dois lados da guerra civil na Ucrânia concordaram com um cessar-fogo, apesar de a instabilidade se manter no país. O conflito, que se iniciou em março do ano passado, já havia causado a morte de mais de 6000 pessoas e cerca de um milhão de refugiados. A pressão internacional, assim como a crescente tensão entre a NATO e a Rússia, estava a levar a uma situação ainda mais perigosa, pelo que extensos esforços diplomáticos foram levados a cabo no sentido de terminar os confrontos. E assim pareceu suceder, não obstante os tiroteios ocasionais ao longo da linha de demarcação. No entanto, o reescrever da lei do estatuto das regiões autónomas aprovada no ano passado pelo governo de Kiev poderá levar a um reacender das hostilidades, pelo menos segundo dizem os rebeldes pró-russos que dominam o Leste.

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Esta terça-feira o governo ucraniano apresentou a nova versão da lei que iria dar autonomia aos enclaves rebeldes na região de Donbass, que haviam aceitado a versão anterior com base no aparente desejo de evitar o propagar do conflito civil. Segundo os rebeldes, as provisões feitas pelo novo documento assumem termos que não haviam sido discutidos previamente e que contrariariam o acordo de Minsk em diversos níveis. Entre estas contradições estaria o assumir dos territórios sob controlo rebelde como estando "ocupados" e a necessidade de desarmar os "mercenários" que os guarnecem. Para além disso, Kiev também apresentou o desejo de permitir à ONU a criação de forças para a manutenção de paz, que tanto os rebeldes com a Rússia descreveram como sendo inaceitável. A aceitação desta revisão poderia, assim, ser vista como uma quebra do tratado de paz por parte de Kiev.

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Enquanto o debate acerca da legitimidade do Tratado de Minsk à luz da posição do governo ucraniano se desenrola, as forças armadas russas prosseguem os treinos militares maciços que têm levado a cabo desde o início da semana. 45.000 homens estão no terreno e as operações dão-se na região do Báltico, incluindo o enclave russo de Kaliningrado, e no Mar Negro, incluindo a Península da Crimeia, onde estão estacionados bombardeiros Tu-22M com capacidade nuclear. Evidentemente que estes exercícios, os maiores na Rússia desde o fim da Guerra Fria, servem para demonstrar o músculo militar russo e a capacidade de reação do mesmo. O objetivo seria o de pressionar Kiev a recuar em algumas das suas imposições a Donbass e de fazer a NATO e a UE reconsiderarem as sanções económicas a Moscovo e a deslocação de tropas para o Leste da Europa.

A questão económica é de extrema importância, uma vez que as nações europeias se encontram amplamente divididas nesse assunto. As sanções afetaram de sobremaneira a economia da Euro Zona, que tinha na Rússia um importante parceiro económico, e o tema já lançou uma sombra sobre as discussões da UE que terão lugar a partir do próximo dia 19. A difícil questão da venda de armas a Kiev também se mantém, temendo-se que pudesse causar maior irritação junto de Moscovo.

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Apesar da esperança de que Minsk fosse trazer alguma estabilidade à Europa, parece que o problema está longe de estar resolvido e que ainda irá fazer correr muita tinta. #Política Internacional