O projeto de lei que previa multas e até prisão a quem encorajasse a extrema magreza, apresentado a semana passada no parlamento francês, foi rejeitado. A proposta tinha o apoio da ministra da saúde de França, Marisol Tauraine, e decretava que as modelos que participassem nos desfiles de #Moda ou campanhas publicitárias no país tinham de ter, pelo menos, um índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 18,5. O objetivo era lutar contra a anorexia, doença nervosa que afeta entre 30 a 40 mil franceses, 90% dos quais são adolescentes.

"É importante as modelos afirmarem que é preciso comer bem e cuidar da saúde, especialmente para as mulheres jovens que olham para as modelos como um ideal estético", disse a ministra da saúde.

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A lei decretava multas de 75 mil euros impostas às agências de modelos e prisão até seis meses aos agentes que não cumprissem os critérios estipulados. Antes de serem contratadas para qualquer trabalho, as modelos teriam de apresentar um certificado médico que comprovasse um IMC (valor obtido pela divisão do peso pela altura) dentro dos padrões estabelecidos, o que equivalia a 55 quilos por 1.75 metros de altura. Uma emenda da lei propunha ainda coimas àqueles que incentivassem a extrema magreza em público, como é o caso dos sites pró-anorexia.

No entanto, o projeto foi refutado pelos deputados franceses, uma vez que poderia "discriminar candidatos a um emprego por causa do seu peso". Olivier Veran, um dos socialistas responsáveis pela elaboração da proposta, afirmou que iriam reescrever a lei, com vista a ser debatida mais tarde ainda este ano.

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Se a lei fosse aprovada, França, símbolo de estilo e moda internacional, juntar-se-ia a Espanha, Itália e Israel que já adotaram leis contra o uso de modelos excessivamente magras, desde 2013. Na mesma linha, na Noruega foi proposto que as imagens de modelos digitalmente retocadas deveriam vir com um aviso, como o que vem nos maços de tabaco, e no Brasil está a ser considerada a proibição da contratação de modelos abaixo do peso estipulado que sejam menores de idade. Em todo o mundo, são vários os especialistas que alertam para os perigos do recurso a modelos excessivamente magras, vistas como ídolos estéticos, sobretudo por parte dos jovens, no sentido de poderem encorajar distúrbios alimentares.