À medida que avançam as horas após a queda do avião da Germanwings, começam a conhecer-se as identidades das 150 das vítimas. Mas, no meio da tragédia, há sempre alguém que agradece as voltas do destino que fizeram com que o azar passasse ao lado. Neste caso, esse "sortudo" é Manuel Blasco que não embarcou no avião por insistência da mulher. Uma "birra" que lhe salvou a vida.

Conta o jornal espanhol El Mundo que Manuel tinha há muito a data de hoje marcada no calendário: ia para Colónia, a cerca de 50 quilómetros de Düsseldorf, para assistir à feira de alimentação Anuga Food Tech. A sua empresa, a Micro Power Europe, tinha um expositor no salão, onde ele deveria estar logo de manhã.

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Com tempo, reservou o voo na Germanwings (filial da Lufthansa) para ontem, segunda-feira, dia 23. No entanto, acordou indisposto, constipado e com febre. A sua intenção era mudar o bilhete que tinha e voar no avião que hoje se despenhou nos Alpes. "Foi a minha mulher que me fez mudar de ideias. Convenceu-me, disse-me que, já que estava acordado, era melhor ir para o aeroporto e descansar no hotel em Colónia", contou Blasco ao periódico, já em solo germânico.

No aeroporto de El Prat, em Barcelona, Manuel ainda foi até ao balcão da Lufthansa para perguntar se podia trocar o voo para hoje. "Disseram-me que o avião estava muito cheio e que tinha de pagar bastante dinheiro se quisesse reservar um lugar. Como vi que não me ia sair grátis, decidi viajar", explicou.

Hoje, já no referido certame, Manuel soube da notícia do acidente através do telemóvel.

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"É uma daquelas coisas que te faz repensar tudo", reflexiona, concluído: "a sorte às vezes está onde não esperas". Além da mulher, que o convenceu a viajar ontem, também recebeu chamadas da mãe e dos irmãos. "Sabiam que ia viajar, mas não quando. Definitivamente, hoje não era o meu dia", concluiu.

As vítimas

Várias das vítimas do Airbus 320 iam para a Alemanha precisamente para participar na feira de alimentação. A Fira Barcelona confirmou que dois dos seus funcionários seguiam no avião, assim como trabalhadores da Inditex, Desigual, Bayer, Delphi ou Nutriexport.

No avião viajavam também 16 adolescentes, de 15 e 16 anos, de origem alemã e dois professores, que tinham participado num intercâmbio escolar no instituto Giola, de Llinars del Vallès. Catorze eram raparigas. A mulher do chefe de gabinete da Esquerra Republicana de Catalunya, Oriol Junqueras, foi outra das vítimas. A mulher de Lluís Juncà viajava para a Alemanha por motivos profissionais.

A Ópera de Düsseldorf chora a morte de Oleg Bryjak no acidente, um barítono que regressava a solo germânico, onde residia, depois de finalizar um ciclo de espectáculos de "Siegfried" no Gran Teatre do Liceu de Barcelona. A contralto alemã María Radner, Erda na referida produção, regressava a casa acompanhada pelo marido e pelo filho.