A altitude era normal e seguia o plano de voo. A descida, que começou já em território francês, revelou a existência de um problema no aparelho. Quando se detecta um problema é obrigatório o piloto seguir três procedimentos: voar, navegar e comunicar. O primeiro é garantir que, em função da falha que tem e da dimensão da mesma, o piloto consegue controlar o avião da melhor forma possível; navegar implica que um dos primeiros instintos seja afastar da zona crítica da orografia do terreno de montanhas, e, por último, deve-se comunicar o que se está a passar. Para Jaime Prieto, piloto aéreo, esta sequência de passos surge quase instantaneamente e perante a existência de apenas uma chamada de emergência, pensa-se que terá havido uma falha técnica.

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A questão que tem pairado no ar é a razão pelo qual o piloto apenas terá feito uma comunicação. Segundo os especialistas, o problema a bordo foi muito grave, como os registos da descida comprovam. O A320 teve uma descida muito acentuada (de cerca de quatro mil pés por minutos) e estava a voar a cerca de trinta e oito mil pés, o que significa que teve uma descida muito abrupta. Para os especialistas, esta descida é sinal que o piloto não teve capacidade para controlar a aeronave e que sentiu que a mesma estava numa situação de perigo extremo.

A zona dos Alpes, onde o avião caiu, é bastante complicada do ponto de vista do relevo, contudo, em condições normais, e com a altitude que levava, quem conhece a zona diz que era suposto que o piloto conseguisse navegar o avião até uma pista alternativa. Os especialistas revelam que é do conhecimento geral que a seguir à zona dos Alpes há várias pistas com bastante qualidade, pelo que não compreendem a reacção do piloto.

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Dizem também que a trinta e oito mil pés o avião conseguiria perfeitamente aterrar nas mesmas. E, pondo a hipótese remota que o avião não estava em condições para se deslocar até à pista mais próxima, deveriam ter pedido imediatamente ajuda do tráfego aéreo, dizem os especialistas na matéria.

Muitos supõem que desde o momento em que o piloto notou uma anomalia no voo, este tentou dar todos os passos possíveis para resolver a situação mas foram em vão porque, como se sabe, a aeronave despenhou-se. O A320 estava ao serviços da germanwings há vinte e quatro anos, prestes a atingir a idade da reforma. Com este incidente acabou por sair da rota em definitivo.