Ainda é seguro voar? Essa é uma questão que estará por estes dias na mente de muitos passageiros frequentes, depois de o voo 9525 da Germanwings se ter despenhado terça-feira nos Alpes Franceses, matando todas as 150 pessoas a bordo do A320. A queda, que os investigadores agora acreditam ter sido causada intencionalmente pelo co-piloto do avião Andreas Lubitz, surge depois de um ano particularmente mortífero para a indústria da aviação internacional.

Um total de 641 pessoas morreram em desastres de aviões em 2014, um valor três vezes superior ao número de fatalidades do ano anterior e acima da média dos últimos cinco anos que, de acordo com Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, pelas iniciais em inglês), é de 517.

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Os dados de 2014 incluem os 239 passageiros e tripulantes do voo 370 da Malaysia Airlines, que desapareceu entre Kuala Lumpur e Pequim, bem como as 162 pessoas a bordo do voo 8501 da AirAsia, que se despenhou no Mar de Java em Dezembro. Não incluem, contudo, o voo 17 da Malaysia Airlines, que transportava 298 pessoas quando foi derrubado por separatistas pró-russos na Ucrânia. Esse caso não foi considerado um acidente, tal como aconteceu com as aeronaves que foram sequestradas nos ataques do 11 de Setembro nos Estados Unidos.

A verdade é que, apesar do elevado número de mortes, 2014 foi mesmo ano mais seguro de sempre para a indústria da aviação. Houve no ano passado um total de 12 acidentes fatais em 38 milhões de voos, em comparação com 16 de 2013 e os 23 de 2010, de acordo com a IATA.

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O número de acidentes nos quais o avião ficou destruído ou sem reparação foi de 0.23 por milhão de voos, quase metade dos 0.41 de 2013 e o mais baixo da história. Os dados mostram que, em 2014, houve um acidente em 4.4 milhões de voos. Se olharmos apenas para as 250 companhias aéreas que pertencem à IATA, o número baixa para um em cada 8.3 milhões.

"Todos os acidentes são demasiados e a segurança é sempre prioridade da aviação. Mas, apesar de a segurança ter estado nas manchetes em 2014, os registos mostram que voar continua a ser seguro", disse o CEO da IATA, Tony Tyler, citado pelo Global Post.

Os mais recentes acidentes, envolvendo companhias aéreas low-cost (a Germanwings é a filial de baixo custo da Lufthansa e a AirAsia é uma low-cost com sede na Malásia), têm, contudo, levantado algumas questões sobre a segurança destas operadoras, que são já responsáveis por mais de 25 por cento do mercado da aviação internacional. Os analistas garantem, no entanto, que os viajantes não têm motivos para estarem preocupados.

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"As empresas low-cost e as tradicionais viajam exactamente nas mesmas aeronaves e estão sujeitas às mesmas normas, pelo que não há nenhuma razão para que os seus registos de segurança sejam piores", disse um perito ao The Telegraph.

As companhias low-cost poupam dinheiro cobrando por bens e serviços que noutras são grátis, como comida ou bagagem, mas isso não significa que descurem a manutenção. "A segurança é a principal publicidade para uma companhia aérea", explicou o piloto e analista de aviação Les Abend à CNN. No fundo, se um piloto ou co-piloto decide despenhar um avião, não faz grande diferença se é de uma low-cost ou um jacto de luxo.