O governo grego continua a sua cruzada para tentar evitar que o país caia na bancarrota. Lá como cá, a fuga aos impostos é um dos principais problemas da sociedade. Para combater este flagelo, o executivo de Tsipras está a estudar a hipótese de recrutar turistas para espiar empresários que fujam aos seus compromissos fiscais. A ideia de contratar estudantes, donas de casa e turistas como inspectores das finanças "encobertos" faz parte de um grupo de sete medidas que o governo apresentou antes de mais uma ronda de conversações com a eurozona, esta segunda-feira.

De acordo com uma carta do ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, publicada pelo Financial Times, a Grécia poderá mesmo recorrer a estes inspectores amadores, que teriam sempre de obter formação onde iriam aprender a fazer-se passar por clientes normais.

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Seriam contratados por um período máximo de dois meses. Equipados com microfones e camaras de vídeo ocultas, a sua principal tarefa seria recolher dados que pudessem ser utilizados como provas contra os incumpridores, como proprietários de estabelecimentos de diversão nocturna ou outros negócios que não passem facturas e queiram evitar o pagamento de impostos.

O titular da pasta das Finanças na Grécia considera que o plano pode prevenir eventuais fraudes fiscais. "A notícia de que milhares de fiscais casuais estarão em todo o lado tem a capacidade de alterar atitudes muito rapidamente", refere a carta.

A Grécia tem um sério problema de evasão fiscal. Dados do governo indicam que, em 2014, mais de 70 mil milhões de euros ficaram por pagar. Em Janeiro deste ano, as receitas fiscais do governo ficaram mil milhões de euros aquém dos objectivos.

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Muitos gregos optaram por não pagar, na esperança de que o novo executivo fosse acabar com muitas taxas impopulares.

Outras reformas propostas pela Grécia passam pela criação de uma supervisão independente para monitorizar as despesas do governo e a introdução de um modelo mais eficiente para o licenciamento e tributação do sector do jogo online.

Os líderes europeus aceitaram estender o programa de resgate grego por mais quatro meses mas querem ver até final de Abril uma lista de reformas convincente, antes de disponibilizarem mais dinheiro para o país. Entretanto, Atenas vai ficando cada vez com menos verbas para pagar as suas contas.