Quando Nasser assumiu a sua homossexualidade, o pai ameaçou o jovem muçulmano, nascido em Berlim, que o degolava. Entretanto, foi regado com água a ferver pelos tios e sequestrado pelo pai. Os pais drogaram Nasser e colocaram-no num carro, com destino à Bulgária. O jovem acabou por ser descoberto pelas autoridades junto à fronteira com a Roménia, graças a um alerta emitido pela Interpol.

Quando regressou a Berlim, decidiu levar o caso à #Justiça. Agora, aos 18 anos, vê os pais serem condenados ao pagamento de uma multa de 1350 euros. Mas isto não era suficiente para o jovem muçulmano alemão. Decidiu denunciar a sua história à imprensa, num caso que não é inédito na comunidade muçulmana berlinense.

Publicidade
Publicidade

Práticas como os sequestros, os casamentos forçados e os castigos corporais são comuns, de acordo com informações reveladas pela Imprensa alemã.

Recuando um pouco, a tormenta de Nasser começou quando o jovem assumiu a sua homossexualidade. A família considerou a revelação de Nasser "um pecado e uma vergonha". E os castigos corporais sucederam-se: o pai ameaçou que o degolava e os tios queimaram-no com água a ferver, avisando-o que "para a próxima" lhe deitariam "fogo".

O jovem fugiu de casa, mas acabou por ser convencido pela mãe a regressar. Quando voltou, foi avisado de que iria viajar para o Líbano de forma a casar com "uma bela rapariga". A revelação levou Nasser a fugir novamente de casa. Dessa vez, pediu o apoio da Comissão de Proteção de Menores de Neuköln, que decretou a proibição do jovem sair da Alemanha e retirou a custódia aos pais.

Publicidade

Contudo, quando voltou a estar com os pais, acabou raptado e metido num carro a caminho da Bulgária. O objetivo era forçá-lo a casar. Foi intercetado pelas autoridades junto à fronteira da Bulgária e regressou a Berlim. Agora, vê a justiça alemã condenar os pais a uma multa de 1350 euros. Nasser chegou à audiência com um adesivo a apelar ao fim da homofobia e disse à imprensa que "a iniciativa de contar sua tragédia pessoal foi bem-sucedida".