Esta manhã iniciou-se uma importante ação terrorista na capital da Somália, Mogadíscio, levada a cabo por militantes do grupo al-Shabaab. Um carro-bomba com um suicida a bordo explodiu à entrada do popular hotel Maka al-Mukarama, causando nove mortos. No caos que se seguiu, pelo menos quatro militantes conseguiram entrar no edifício, entrincheirando-se e abrindo fogo com as armas que carregavam com eles. De momento, forças de segurança combatem estes homens, tentando retomar o controlo do hotel. O Maka al-Mukarama fica situado na estrada que dá acesso ao palácio presidencial, e é onde muitos empresários e representantes estrangeiros costumam estabelecer-se aquando de visitas ao país.

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Tendo outrora sido parte de um grupo militante muito maior, a União dos Tribunais Islâmicos, antes da intervenção militar etíope de 2006, a organização al-Shabaab continua ainda hoje a fazer esforços para dominar a Somália. Tendo já assumido alianças com a al-Qaeda e o Boko Haram, não obstante os confrontos ocasionais com a primeira, esta organização faz parte de um conjunto de grupos extremamente violentos que têm andado a causar o caos no Médio Oriente e Norte de África.

Apesar dos revezes sofridos esta década, o al-Shabaab ainda domina amplas áreas do interior somali, estabelecendo nelas um severo regime islâmico, e mantendo-se extremamente ativo, tendo organizado ataques terroristas em diversas localidades, sobretudo em Mogadíscio. Também age no território dos aliados do governo da Somália, como o Quénia, onde em 2013 um ataque ao centro comercial Westgate de Nairobi causou 67 mortos.

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É interessante notar que o Maka al-Mukarama já havia sido alvo de um atentado à bomba no início deste mês, com o ataque agora em curso a aparentar ser parte de um campanha da organização terrorista para desestabilizar o coração do país.

Recentemente a Somália tem, aos poucos, vindo a tornar-se mais estável, com a presença de tropas da União Africana, e com o controlo a regressar lentamente às amplas zonas rurais da nação, apertando-se assim o cerco ao al-Shabaab e organizações similares. Mesmo os cidadãos exilados por mais de duas décadas de violentos conflitos têm agora começado a regressar, ajudando na reconstrução. Apoiado pela ONU, o governo de Mogadíscio tenta assim reverter a classificação de nação falhada da Somália. Se o processo funcionar, o al-Shabaab poderá tornar-se irrelevante, pelo que responde de modo violento para defender os seus interesses. #Terrorismo