Se as últimas notícias vindas da Nigéria se confirmarem, a luta contra o Estado Islâmico (EI) tornou-se ainda mais vasta do que fora até há poucas semanas. A verdade é que a organização terrorista sofreu recentemente recuos trazidos pelos ataques aéreos liderados pelos Estados Unidos da América e as ofensivas terrestres das forças sírias, iraquianas e curdas. No entanto, conseguiu espalhar as suas operações para a Líbia e a Turquia, de onde espera vir a lançar ataques à Europa e mesmo aos EUA. Mais recentemente, contudo, surgiram notícias de que a infame organização baseada na Nigéria, a Boko Haram, conhecida pelos raptos de jovens estudantes e ataques que causaram morte indiscriminada por todo o país, decidira aliar-se ao Estado Islâmico, o que estende a área de influência da organização desde o Médio Oriente a uma boa parte do Norte de África.

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Mais ainda, o facto faz com que forças que nunca o haviam realmente previsto, como as Forças Armadas Egípcias, estejam agora a enfrentar o EI, ou parte da sua rede de alianças.

Na Nigéria, tropas de pelo menos três nações africanas estão já comprometidas no ataque ao Boko Haram. No Sudeste, forças leais a Lagos conseguiram expulsar os terroristas de enclaves que estes possuíam perto da fronteira com os Camarões. No Nordeste, tropas do Chade continuam a sua incursão no território nigeriano, e no Noroeste. Do outro lado do país, tropas do Níger efectuam a sua primeira ação dento de território nigeriano, com vista a expulsar unidades do Boko Haram que haviam procurado santuário na fronteira.

Inicia-se assim hoje uma nova fase desta ofensiva, agora em três frentes, e esperam-se novos ganhos territoriais face ao Boko Haram que, pelo menos de momento, está em desequilíbrio.

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No entanto, os ataques da organização continuam. Surgiram relatos de 50 mortos causados por quatro explosões em Maiduguri, na Nigéria. O ataque não foi reclamado, mas as autoridades afirmaram que as todas as caraterísticas apontavam para o infame grupo jihadista.

Entretanto no Mali, uma outra organização terrorista organizou um ataque na capital, Bamako, o que é desde logo um evento raro. Morreram cinco pessoas, três cidadãos nacionais, assim como um segurança belga e uma mulher francesa. Apesar de a situação da segurança em África nunca ter sido especialmente estável, a crescente agressividade e organização destes grupos jihadistas torna diversas áreas do continente ainda mais voláteis e, consequentemente, mais propensas a requerem medidas drásticas para resolver a situação. Isto é especialmente dramático no caso nigeriano, uma vez que esse país é a maior economia africana e prevê-se que venha a ser um dos países mais populosos do mundo em poucos anos.

De regresso ao Médio Oriente, as forças iraquianas, suportadas pelo Irão (a aliança entre os dois países começa a tornar-se numa questão "natural"), admitem estar a fazer avanços contra o EI em Tikrit. Mesmo assim, o governo de Bagdade já veio pedir ajudar à coligação internacional no sentido de utilizar os seus raides aéreos para proteger as antiguidades que os militantes do EI têm destruído recentemente, naquilo que já foi descrito como um crime contra a Humanidade.

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#Terrorismo