No último dia de campanha, os líderes dos dois principais partidos, de acordo com uma sondagem, esgrimiram todas as armas para conseguir mais votos. Benjamin Netanyahu, líder do Likud (partido de direita) garantiu ontem que se for eleito não haverá Estado Palestiniano. As declarações do atual primeiro-ministro foram proferidas em entrevista a uma publicação online ligada a um jornal dos colonos judeus, o Makor Rishon. Pouco tempo antes, o líder do Likud já havia afirmado que se não for eleito, será estabelecido um "Hamastão B" (referindo-se à Faixa de Gaza) no colonato de Har Homa, às portas de Belém. "Penso que quem procura criar um Estado Palestiniano e evacuar territórios dá território aos islamitas para que ataquem Israel", alertou o chefe do governo.

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Netanyahu afirmou mesmo que "a esquerda enterrou a cabeça na areia vezes seguidas e ignora isto".

O primeiro-ministro referiu-se, ainda, diretamente ao União Sionista (coligação do Hatnuah de Tzipi Livni e do Partido Trabalhista de Isaac Herzog), partido com o qual o Likud disputa estas #Eleições, dizendo que se a União Sionista vencer as eleições "irá juntar-se à comunidade internacional". Ou seja, irá cooperar com iniciativas para fazer regressar Israel às fronteiras pré-Guerra dos Seis Dias, que ocorreu no ano de 1967, e irá concordar com o congelamento da construção de colonatos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

A crispação Israel-Palestina tem sido constante, merecendo especial atenção dos média. No início deste mês, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) decidiu suspender a coordenação ao nível da segurança com Israel (a medida integrava os acordos de paz assinados em 1993, em Oslo).

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A Organização alegou que Telavive tem desrespeitado os acordos bilaterais. A suspensão da cooperação surge depois de Netanyahu, primeiro-ministro israelita, ter pedido o cancelamento da transferência de cerca de 105 milhões de euros em impostos arrecadados para a Autoridade Palestiniana, como retaliação por a esta querer aderir ao Tribunal Penal Internacional.

A administração norte-americana já se mostrou preocupada com o agravamento das relações entre Israel e a Autoridade Palestiniana, e espera que após as eleições de hoje seja possível acelerar o plano de paz. Recorde-se que o Verão de 2014 foi marcado por conflitos entre a Palestina e Israel, nomeadamente na Faixa de Gaza. Entre Julho e Agosto do ano passado, os confrontos fizeram mais de 2 000 mortos no lado palestiniano e mais de 70 do lado israelita.