Mais de 500 jovens muçulmanas, entre os 15 e os 19 anos, fugiram da Europa nos últimos anos para casar com jihadistas, na Síria e no Iraque. Muitas têm níveis de educação elevados e são de classe média, segundo a agência de notícias britânica Reuters. Algumas sentem-se distantes da sociedade europeia, outras procuram estabilidade financeira ou estão revoltadas com a discriminação laboral e salários baixos. Segundo um estudo da Comissão para a Igualdade e Direitos Humanos, que recolheu informação entre 2000 e 2010 no Reino Unido, as mulheres muçulmanas percebem na adolescência que há pouca coisa que possam fazer contra a discriminação e estão por isso mais vulneráveis às promessas que se fazem na internet.



Estima-se que as mulheres muçulmanas tenham menos 65% de probabilidade de encontrar trabalho do que as cristãs. Ao entrar na adolescência, a discriminação que se avizinha fá-las temer pela sua segurança económica. O desemprego, salários baixos e discriminação laboral são os principais motivos que levam estas jovens a largar tudo para casar com jihadistas. Outras acreditam na ideologia ou partem em busca de uma aventura.



Em Agosto de 2014, uma portuguesa de 19 anos fugiu para casar com um guerrilheiro português do Estado Islâmico. Ângela, filha de portugueses que emigraram para a Holanda, garante que os valores islâmicos se enquadram melhor nos seus. Umm, como é conhecida na Síria, trocou o país onde vivia pela Jihad Islâmica, na Síria. "Aqui não sou criticada por estrangeiros ou insultada. É fácil viver de acordo com o Corão e o Sunnah [depois do Alcorão, é a fonte da lei islâmica]", disse Ângela ao jornal holandês De Telegraaf.



Em Dezembro de 2014, o Estado Islâmico executou 150 mulheres que se recusaram a casar com jihadistas na província de Al-Anbar. Algumas das vítimas estavam grávidas e foram enterradas numa vala comum em Fallujah, de acordo com uma declaração do jornal turco Turkish Press. Ainda assim, as condições económicas atuais na Europa continuam a levar várias jovens a procurarem segurança financeira e a apoiarem causas extremistas.
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