O Grupo dos 77+China nas Nações Unidas foi a mais recente organização internacional a manifestar-se contra a ordem executiva do Presidente norte-americano, Barack Obama, que colocou a Venezuela na lista de ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos. Esta quarta-feira, o bloco multilateral, que representa 134 nações, expressou a sua rejeição em relação ao decreto da Casa Branca e apelou à sua revogação imediata, de acordo com "os princípios internacionais de respeito pela soberania e determinação nacional".

O grupo demonstrou a sua solidariedade com a Venezuela e reconheceu o contributo da nação na cooperação entre os países do Sul.

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O comunicado do G77 surge depois de outras manifestações no mesmo sentido, feitas pela União das Nações Sul-Americanas (UNASUR), Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA) e Movimento dos Não-Alinhados, que também condenaram a administração de Obama pela sua "agressiva" acção unilateral e exigiram diálogo entre as duas nações.

O Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, respondeu positivamente, elogiando a posição do G77, que apontou como a base da "nova diplomacia" do hemisfério Sul. "Com esta agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela e esta nefasta e imperialista ordem executiva, uma nova diplomacia está a emergir do interior dos povos do Sul, uma nova diplomacia de paz, uma nova diplomacia anti-imperialista", disse o Chefe de Estado venezuelano.

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Como parte desta "nova diplomacia", Maduro reiterou o seu apelo aos 10 milhões de venezuelanos para assinarem a carta dirigida a Barack Obama, exigindo a anulação da ordem executiva, uma campanha que já reuniu mais de três milhões de assinaturas.

Na mesma linha, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Equador anunciou esta quarta-feira que o seu país pode vir a faltar à Cimeira das Américas, marcada para Abril no Panamá, em protesto contra as acções recentes dos Estados Unidos. Ricardo Patiño indicou que o Presidente equatoriano, Rafael Correa, pode boicotar o encontro, no qual está prevista a presença de Obama, em resposta aos comentários da secretária de Estado adjunta para os Assuntos do Hemisfério Ocidental, Roberta Jacobson, que defendeu serem necessários mais fundos para promover os direitos humanos na Venezuela, no Equador e em Nicarágua.

"Insistimos que o governo dos Estados Unidos devia parar de prejudicar deliberadamente as relações com os países da América Latina. Se querem ter uma Cimeira das Américas amigável, devem deixar de fazer declarações absurdas e ridículas, que contrastam totalmente com a realidade", disse Patiño.

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"Os Estados Unidos não podem ensinar nada ao Equador sobre democracia, direitos humanos e liberdade de expressão", concluiu.

Por outro lado, mais de 100 políticos britânicos, de seis partidos diferentes, assinaram uma declaração condenando as sanções impostas pelos Estados Unidos à Venezuela, apoiando a posição tomada pela UNASUR. #Política Internacional