A região do Mar do Sul da China tem sido um dos grandes epicentros de crises ao longo da história (a questão de Taiwan, por exemplo, perdura e dificilmente acalmará em breve). Nos últimos três anos as disputas territoriais entre a República Popular da China (RPC), a Coreia do Sul e o Japão foram subindo de tom consistentemente desde que ressurgiu o debate acerca do arquipélago de Senkaku, situado a meio caminho entre as ilhas de Ryuykyu e Taiwan, que tanto Pequim como Tóquio reclamam como sendo seu território. A subida de tom das acusações e ameaças não apenas levou a um afastamento diplomático, como a um aumentar de tensões militares, e é sabido que os caças de ambos os lados intercetam constantemente os seus análogos.

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Já o Japão e a Coreia do Sul possuem um outro debate em relação aos rochedos Liancourt.

No entanto, é a RPC que tem apresentado as reclamações territoriais mais extensas sobre toda a região da Ásia-Pacífico, forçando as outras nações regionais a focarem os seus esforços na sua contenção, independentemente do quão tensas sejam as disputas entre si. Não obstante, o problema entre estas três nações asiáticas não se retém na questão geográfica, cruzando-se também nas arenas diplomáticas e sociais.

Apesar de o nacionalismo japonês não ser algo de novo, a verdade é que o governo do Primeiro-Ministro Shinzo Abe tem feito esforços para revitalizar o mesmo, sobretudo depois do desastroso governo anterior, que muito prejudicara a economia e prestígio nipónicos. Entre tais esforços inclui-se aquilo que já foi descrito como um reescrever das ações históricas das tropas japonesas na Segunda Guerra Mundial, cujo horror ainda hoje assombra as sociedades coreana e chinesa. O Império do Japão empregou táticas de terror, que incluíam matanças e violações em massa, para controlar as populações dos territórios ocupados, e o repudiar dessas realidades por Abe e pelo seu governo, assim como o apoio ao militarismo japonês, inquietam os vizinhos, e lançam mais lenha para o fogo diplomático.

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O Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, declarou que embora a guerra tenha acabado há mais de 70 anos, esta ainda permanece uma questão do presente.

A crescente possibilidade de uma reaproximação entre os três estados asiáticos, que incluiu um encontro entre Abe e o Presidente da RPC, Xi Jinping, em Novembro passado, tem ajudado ao relaxar da posição japonesa, mas mais trabalho é requerido para acalmar os ânimos na região. Daí a necessidade de renovar os encontros entre os líderes defendida pelos respetivos Ministros dos Negócios Estrangeiros este sábado, dia 21, também eles reunidos pela primeira vez em três anos. A reunião entre o Primeiro-Ministro japonês e os Presidentes chinês e coreana está ainda para ser marcada, mas a sua aceitação é vista como um marco importante.

A RPC também apresenta interesse em conseguir fazer Seul e Tóquio aderir ao seu projeto de um Banco de Investimento de Infraestruturas Asiático, do qual as nações alinhadas com os Estados Unidos são notórias ausências.

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Os governos sul-coreano e chinês também se reuniram recentemente para discutir a questão atómica norte-coreana, tendo concordado nos perigos de um arsenal nuclear nas mãos de Pyongyang. #Política Internacional