Familiares de Andreas Lubitz, o co-piloto da companhia alemã Germanwings que terá alegadamente provocado a queda do Airbus A320 esta terça-feira, vão abrir processo contra a Lufthansa. Pelos vistos têm na sua posse documentos que conseguem provar que a Lufthansa tinha conhecimento prolongado da sua doença. Tal contraria as afirmações de que o co-piloto, doente, estivesse a esconder a sua condição (da empresa e colegas) e destruído os atestados.


A polícia efectuou uma busca exaustiva na casa de Andreas em Dusseldorf e foram encontradas algumas provas que poderão vir a ser circunstanciais. Existem vários documentos internos passados por um médico da Lufthansa a outro médico externo que comprovam "um estado depressivo grave", sofrido pelo co-piloto, que foi diagnosticado ainda durante o seu estágio em 2008. A Lufthansa, proprietária da Germanwings, recusou fazer qualquer comentário acerca da saúde mental de Andreas. De facto, se for comprovado que era do conhecimento da companhia aérea de que ele tinha depressão grave, o valor das indemnizações aos familiares pelas mortes pode subir em flecha.


Os familiares das vítimas dizem estar incrédulos e revoltados. Afirmam não querer acreditar que uma companhia aérea como a Lufthansa pode deixar um homem doente pilotar um avião. Afirmam que "se ele realmente estava doente, nem sequer deveria estar a exercer a sua profissão. A companhia aérea empurrou estas pessoas para a sua morte". Se de facto o co-piloto derrubou o avião de forma deliberada e a companhia tinha conhecimento da sua doença, prometem avançar com processos judiciais.


O montante das indemnizações vai depender de vários factores, incluindo a nacionalidade, idade e profissões das vítimas. Estava previsto uma média de 100 mil euros por pessoa, mas se realmente era do conhecimento da Lufthansa e foi omitido o seu estado de saúde, estão previstas indemnizações que possam alcançar mais de 3 milhões de euros por vítima. Os familiares vão receber já uma primeira parte esta semana no valor de 25 mil euros.