O circo Ringling Brothers and Barnum & Bailey afirmou, na passada quinta-feira, dia 5, que vai eliminar o número dos elefantes dos seus espetáculos a partir de 2018. Há já várias décadas que activistas dos direitos dos animais exigiam a libertação dos animais selvagens, devido ao tratamento cruel a que estavam sujeitos. Entre as denúncias de maus tratos conta-se o recurso a cordas e correntes para prender os #Animais gigantes, uma medida para proteger as pessoas, mas também os elefantes, segundo o circo norte-americano.

Os ativistas acusam também a brutalidade dos treinadores ao usarem longos ganchos para adestrar os animais.

Publicidade
Publicidade

Esta prática é especialmente perigosa durante o musth, período que os elefantes machos passam, caracterizado pelo comportamento agressivo do animal e pelo crescimento das hormonas reprodutivas. Além disso, o treino começa quando os elefantes são ainda bebés, o que pode ter consequências a nível psicológico, devido a serem afastados da mãe tão cedo, defendem os activistas.

O Ringling Brothers foi fundado por cinco, dos sete, irmãos Ringling no século XIX, e adquiriu o seu primeiro elefante em 1882, um enorme elefante africano de nome Jumbo. Desde então que se tornou a grande atração do circo. Atualmente, a companhia detém 42 elefantes asiáticos, mais dóceis que os africanos, com idades entre os 2 e os 69 anos, e que serão enviados para um centro de conservação de animais, na Flórida, até ao ano de 2018.

Publicidade

"É extraordinário, uma vez que têm estado nesta luta há tanto tempo e há mais de um século que o ícone do circo americano é o elefante. A imagem que o Ringling sempre propagou foi que não se podia ter um circo sem os elefantes, mas o sucesso global do Cirque du Soleil mostrou que não são precisos animais de qualquer tipo para ter um circo", afirmou Matthew Wittmann, defensor do fim do uso dos animais selvagens na indústria do entretenimento e autor do livro Circus and the City: New York, 1793-2010.

No entanto, tanto os ativistas, como os representantes do circo, já confirmaram que a decisão se deveu, sobretudo, a questões económicas. Além da legislação imposta por várias cidades e estados norte-americanos, que dificulta a realização de espetáculos com animais selvagens, os empresários aperceberam-se da mudança na atitude do público mais exigente, que não quer ver elefantes a serem transportados de cidade em cidade. "Estes são animais complexos e inteligentes e este é um negócio sujo, sujo e cruel, e as pessoas veem isso. Isto foi puramente uma decisão de negócios", afirmou Ingrid Newkirks, presidente da PETA.

Pela Europa, foram já vários os países que baniram o uso de animais selvagens em prol do entretenimento. Em Portugal, foi aprovada, em 2009, uma lei que proíbe a aquisição de animais, dos quais se contam elefantes, leões, macacos e tigres, e a reprodução dos já existentes no circo.