A população por todo o mundo tem combatido a produção de alimentos biotecnológicos. E se na Hungria e na França foram destruídas quintas inteiras deste tipo de produção, é agora a vez da Polónia, que está nas ruas a contestar a produção de produtos agrícolas geneticamente modificados (G.M.O.). Uma revolução pacífica em todo o planeta. São já as centenas de tractores e milhares de agricultores que na Polónia desde há duas semanas protestam intensivamente contra os "alimentos ocos" - os transgénicos. Nos protestos não se registaram confrontos.

Os agricultores chamam a atenção para a "soberania alimentar" da Polónia. À semelhança de outros casos, como na França, os agricultores não querem ter de comprar sementes às grandes empresas agrícolas para produzirem espécies indígenas. Após décadas de normas governamentais de saúde e de segurança, que literalmente condicionaram a ruína da pequena produção agrícola e favoreceram o mega crescimento das grandes empresas agrícolas, os agricultores polacos querem agora apenas os seus direitos restaurados.

No protesto agora generalizado por toda a Polónia, são às dezenas os locais em que os polacos se recusam a parar a sua expressão e, para além dos bloqueios de estradas, foram também criados piquetes especiais em frente aos ministérios. O objectivo é impedir que, em nome da economia competitiva, os pequenos agricultores vendam as suas terras que vão servir às mega empresas agrícolas para produzirem "alimentos ocos" (transgénicos). "Assim que o terreno é vendido, o modelo Big Agra (grande produção agrícola) não pode ser parado, e a terra fica perdida para sempre", disse um dos manifestantes. Os protestos dos agricultores visam também reuniões com o governo para "manter uma plataforma de diálogo constante entre os sindicatos e os agricultores". E são 4 as revindicações dos agricultores polacos:
  1. Lei de ocupação de terras (para impedir que os pequenos agricultores percam as terras para as mega predadoras empresas de biotecnologia, ex. Monsanto);
  2. Legalização da venda directa da produção agrícola ao consumidor (impedir o intermediário e colocar os produtos agrícolas genuínos directamente no consumidor; a Polónia tem uma das leis mais criminalizantes da Europa neste ponto, que tem favorecido a produção de alimentos falsificados);
  3. Permitir que as famílias possam transmitir por herança as suas terras para os seus herdeiros;
  4. Proibir o cultivo de alimentos geneticamente modificados.

As terras da Polónia têm sido vendidas ao capital estrangeiro em nome da sobrevivência dos vendedores, com consequência na perda de qualidade dos alimentos e da própria soberania polaca. A agitação dos produtores agrícolas tem sido mais evidente no norte, que não tem parado de crescer desde pelo menos há um ano. Nesta zona, e porque os produtos não são burocraticamente certificados, não podem ser vendidos directamente ao público.

Os pequenos agricultores polacos não usam pesticidas e aplicam ainda métodos tradicionais de baixa mecanização, mantendo um solo mais saudável. Mas as grandes empresas estão ansiosas por se apropriarem destas terras e criarem uma zona de produção transgénica perto da Rússia que mantém as mega empresas agrícolas afastadas do sector económico com leis sem piedade. O casal Maria e Mariusz Nowak referem que a Polónia deve sair da união europeia, "e recuperar a nossa autossuficiência alimentar, porque importamos produtos que já produzíamos cá e fomos impedidos pela União Europeia de produzir".