Na noite passada um dos modernos caças F-15 sauditas envolvidos nos ataques ao Iémen despenhou-se no Sul do país, obrigando à ejeção dos dois tripulantes. Riade pediu rapidamente ajuda a Washington, que mantém uma presença militar muito forte na região devido às operações em curso tanto através do Mediterrâneo com do Índico. Forças especiais dos Estados Unidos foram colocadas em ação, operando a partir do Djibouti, do outro lado do Mar Vermelho, e resgataram os dois homens em pouco menos de duas horas. Não é ainda claro porque se deu esta ejeção, e as autoridades recusaram-se a oferecer detalhes. Convém recordar que na campanha da Líbia, em 2011, um F-15E americano muito similar ao agora perdido pela Arábia Saudita, se despenhou após uma avaria nos motores, mas nesse caso os detalhes foram rapidamente tornados públicos.

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Os ataques ao Iémen por parte da coligação liderada pela Arábia Saudita prosseguem este sábado, após se terem iniciado na noite da passada quinta-feira, em resposta à ameaça dos rebeldes Houthis ao reduto das forças leais ao presidente Hadi em Áden. Riade conseguiu reunir uma força militar que inclui tropas e aeronaves do Bahrein, Qatar, Emiratos Árabes Unidos, Kuwait (membros do Concelho de Cooperação do Golfo), Egito, Jordânia, Sudão, e agora Marrocos, com o apoio indireto dos EUA e do Paquistão. Apesar do poder esmagador desta imensa força aérea, que já causou estragos avultados na capital iemenita de Sana'a, ocupada pelos rebeldes, e a morte de pelo menos 40 civis, os Houthis prosseguem a ofensiva para Oeste, cercando Áden. Foi declarado que a coligação centra agora esforços nestas colunas que atacam o reduto governamental, numa tentativa de aliviar pressão das forças governamentais.

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Os rebeldes, por seu lado, já afirmaram ter abatido 4 aeronaves e capturado um piloto, mas de momento não há provas destas afirmações. Também perderam pelo menos 80 homens durante os ataques. As respostas internacionais não se fizeram esperar, com porta-vozes iranianos (tenha-se em mente que o Irão está envolvido numa luta pelo poder na região contra Riade e apoia os Houthis) a criticar pesadamente a iniciativa saudita, e declarando que a mesma não tem hipóteses de sucesso. Também o Hezbollah criticou a intervenção e a sua falta de legitimidade na lei internacional.

Declarações mais contidas vieram da China, Rússia e Síria (aliados tácitos de Teerão), que seguem um discurso similar ao da ONU, em que pedem um refrear da violência e retorno ao diálogo. Já os Estados Unidos, o Reino Unido e a Turquia apoiam a decisão saudita. Entretanto o soberano saudita, o Rei Salman, já declarou que a ofensiva se manteria até a ameaça Houthi, que declarou ser um perigo regional, estar neutralizada.

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Entretanto o governo iemenita já se transferiu para Riade, onde estará em maior segurança. O Ministro dos Negócios Estrangeiros declarou que será necessária uma intervenção terrestre para realmente desalojar os Houthis da capital e dos restantes redutos, e sabe-se que a Arábia Saudita terá cerca de 150.000 homens na fronteira, prontos para essa eventualidade.

A crise iemenita está a desestabilizar ainda mais uma região já avassalada pela guerra sem tréguas contra o Estado Islâmico. Os resultados da mesma estão ainda para se ver. #Terrorismo #Política Internacional