Muhammadu Buhari, o candidato de 72 anos do partido da oposição Congresso Progressista, foi o vencedor das #Eleições presidenciais na Nigéria. Esta foi a primeira vitória eleitoral pela oposição no país, e ficou marcada por alguns distúrbios e violência. Contudo, o adversário do general Buhari, o até então presidente Goodluck Jonathan, já reconheceu a derrota e telefonou para Buhari a congratulá-lo pelo seu triunfo.

A correspondente da Al Jazeera, Yvonne Ndege, que se encontra na capital Abuja, disse que a comissão eleitoral fez o anúncio depois de quase todos os votos terem sido apurados. Segundo a agência de notícias Reuters, o partido do general Buhari venceu por 2,1 milhões de votos, com 15,4 milhões de votos contra os 13,3 milhões para Jonathan e o seu Partido Democrático Popular, no poder desde 1999.

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Um porta-voz do Congresso Progressista louvou Jonathan e disse: "Havia receios de que ele não aceitasse a derrota. Mas ao fazê-lo tornou-se um herói. O seu gesto permite acabar com a tensão drasticamente. Qualquer um que tente fomentar instabilidade porque perdeu as eleições irá fazê-lo por conta própria e não em nome do presidente," afirmou.

Este é um momento tremendamente significativo na história da Nigéria, tendo em conta que esta é a primeira vez que um presidente em funções perde as eleições, afirmou o correspondente da BBC, Will Ross, que também se encontra em Abuja. Esta é igualmente a primeira vez que muitos nigerianos sentiram ter o poder de expulsar através do voto um governo que não tem tido um bom desempenho, acrescentou o correspondente.

A Nigéria tem sido alvo de vários ataques pelo grupo militante islâmico Boko Haram, que já matou milhares de pessoas nos seus esforços para estabelecer um estado Islâmico no país. Muitos eleitores disseram acreditar que o general Buhari está mais qualificado para derrotar o Boko Haram.

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Para ganhar as eleições Buhari tinha de ganhar mais do que 50 por cento do total de votos a nível nacional, e obter pelo menos 25 por cento dos votos em dois terços dos 36 estados nigerianos. O general conseguiu uma vantagem inicial nos estados do norte do país, onde predomina a maioria étnica Hausa-Fulani, à qual Buhari pertence.

Além disso, o presidente Goodluck Jonatham, que teve os seus cinco anos de mandato ensombrados por vários escândalos de corrupção e pela insurreição de militantes do Boko Haram, já se encontrava a perder por 500.000 votos mesmo antes de terem sido apurados os votos em áreas que apoiam a oposição. Entretanto, houve um breve protesto pelo Partido Democrático Popular de Jonathan antes de a contagem ter terminado.

O antigo ministro do Delta do Níger, Godsday Orubebe, acusou o responsável das eleições, Attahiru Jega, de ser "parcial" e "selectivo", avançou a Al Jazeera. Segundo Orubebe, Jega recusou-se a investigar queixas do Partido Democrático Popular sobre a grande vitória de Buhari nos estados do norte, mas lançou uma investigação a pedido do Congresso Progressista sobre irregularidades em Rivers.

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Jega disse mais tarde: "Não acredito que as alegações sejam suficientemente substanciais para que sejam canceladas ou remarcadas as eleições no estado de Rivers. Vamos aceitar os resultados".

Na generalidade, observadores internacionais elogiaram o desenrolar da votação, apesar de algum atraso na entrega do material eleitoral, de algumas falhas técnicas com os novos dispositivos de autenticação dos eleitores, e das alegações de fraude, que alguns receiam poder vir a causar novos protestos e violência. #Política Internacional