Após uma complexa cadeia de eventos, as ilhas Falklands (também conhecidas como Malvinas), localizadas no Atlântico Sul, acabaram nas mãos do Reino Unido em 1833. No entanto, a Argentina, cuja costa fica a menos de 500 quilómetros das ilhas (compare-se com a distância de 13 mil quilómetros em relação a Londres), tem desde então vindo a reivindicar o controlo do arquipélago e, por conseguinte, da respetiva área marítima e dos recursos nela incluídos. A tensão entre os dois países atingiu níveis inéditos em 1982, quando Buenos Aires invadiu as ilhas, instigando uma vigorosa resposta britânica, que expulsou os invasores, deixando uma indelével marca na identidade cultural argentina.

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Apenas um terço dos habitantes atuais nasceram nas ilhas, sendo os restantes imigrantes vindos sobretudo do Reino Unido, pelo que não é surpreendente que, no referendo de 2013 sobre o estatuto político das mesmas, a vontade de permanecer sob a alçada de Londres tenha sido quase unânime.

Entretanto, a Argentina tem sofrido graves revezes económicos, que afetaram as suas forças armadas. Apesar de algumas modernizações feitas nos anos de 1990, a verdade é que pouco mudou desde a guerra, pelo que Londres tem geralmente considerado o dispositivo posicionado nas ilhas como sendo suficiente, independentemente das ameaças vindas de Buenos Aires. Contudo, os últimos meses têm vindo a causar alguma preocupação sobre este estado das coisas.

Apesar da desesperante situação económica vivida no país, a Argentina tem vindo a procurar modos de renovar a Força Aérea, com os modelos de caças em uso, os A-4 Skyhawk, e os Mirage III, a estarem já no limite da vida útil.

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Tenha-se em conta que são modelos desenvolvidos nos anos de 1950. Recentemente, deram-se aproximações entre Buenos Aires e Pequim, com notícias, às vezes contraditórias, a referirem que se estaria à beira de um contrato para a entrega de entre 12 a 24 caças FC-1 Thunder à Força Aérea Argentina. Não estarão ao nível dos Typhoon britânicos, que são dos caças mais sofisticados do mundo mas, no entanto, há apenas 4 destes últimos nas ilhas. Existem também 1200 tropas e um navio de patrulha, com fragatas e submarinos a serem ocasionalmente destacados para a região.

A ameaça mais recente, contudo, veio do embaixador de Moscovo em Londres. Comparações entre o estatuto da Crimeia e o das ilhas do Atlântico Sul soaram a ameaça velada, e mesmo a Presidente argentina, Cristina Kirchner, declarou que como a Crimeia sempre fora russa, também as Falklands sempre foram argentinas. Assim como Pequim, também Moscovo tem reforçado os seus laços com nações aliadas na América Latina, tendo recentemente oferecido caças à Nicarágua e bombardeiros a Buenos Aires, e existe o medo de que pudessem apoiar uma invasão das ilhas, para criar instabilidade no seio da NATO.

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Os ilhéus estão compreensivelmente nervosos e Londres já enviou dois helicópteros pesados e mais um sistema de defesa aérea para reforçar a defesa. Também se fala num investimento de mais de 250 milhões de euros para expandir ainda mais as defesas, uma verba que se considera excessiva em alguns sectores da política britânica. #Política Internacional