Foi nesta sexta-feira, dia 27, que Scott Kelly partiu numa aventura pioneira em nome da NASA. Pioneira por duas razões: primeiro, Kelly, juntamente com dois cosmonautas russos, vão ser os primeiros a passar um ano na Estação Espacial Internacional; as missões até hoje realizadas tinham uma duração média de seis meses. Segundo, porque vai testar as teorias da relatividade de Einstein. É que o irmão gémeo de Scott, o também astronauta Mark Kelly vai ficar na Terra, permitindo os investigadores estudarem a passagem do tempo físico e biológico nos dois irmãos.

Segundo o problema designado de "paradoxo dos gémeos", uma consequência da teoria da relatividade restrita, Scott deverá ser mais novo que o irmão gémeo quando regressar da viagem.

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"Essencialmente, o tempo vai passar ligeiramente mais devagar para o Scott do que para mim, porque ele vai estar a viajar numa velocidade muito superior em relação a mim", esclareceu Mark Kelly. No entanto, considerando a velocidade e o espaço percorrido por Scott, este será mais novo apenas 3 milissegundos.

Pelo contrário, em termos de tempo biológico, Scott será mais velho que Mark. São conhecidos os efeitos que a vida no espaço tem sobre os astronautas, como efeito da gravidade zero e dos elevados níveis de radiação a que os astronautas estão sujeitos. Perda de osso e músculo, problemas de visão e de equilíbrio são algumas das consequências. Assim, uma equipa médica e de investigação vai realizar testes aos dois gémeos, para testar os efeitos que o ambiente estranho a que Scott vai estar sujeito tem sobre o seu corpo.

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Esta experiência vai ser composta por dez diferentes investigações coordenadas entre si. Os investigadores planeiam comparar as diferenças entre Scott, que durante um ano viveu num ambiente sem gravidade e afectado por raios cósmicos, e Mark que ficou em Terra, em vários aspetos: deficiência visual e pressão intracraniana, capacidades cognitivas, bactérias nos intestinos, aterosclerose, envelhecimento, alterações de ADN, sistema imunitário, e como a dieta, a falta de gravidade e o stress afetam as proteínas e hormonas do corpo.