Hora de Lisboa, 8h50. Cerca de 96% dos votos já foram contados e tudo aponta para a vitória do Likud, com entre 29 e 30 lugares parlamentares. Vitória inesperada, já que as sondagens pareciam garantir que Netanyahu não iria conseguir um novo mandato. E até à madrugada desta quarta-feira, o esperado era um empate entre as duas principais forças políticas. Mas a vitória para o partido de Benjamin Netanyahu aconteceu, o que não significa que o político não terá de negociar com outras forças do governo.

"A realidade não fica à nossa espera. Os cidadãos de Israel esperam que rapidamente cheguemos a uma liderança que trabalhe pelo bem da segurança do país, da economia e da sociedade, tal como prometemos - e é isso que faremos", disse o primeiro-ministro israelita, segundo a publicação "The Jerusalem Post".

Publicidade
Publicidade

A realidade refere-se a uma coligação com a União Sionista, que o mesmo afirma pretender realizar o mais rapidamente que for possível.

O "The Jerusalem Post" confirma pedidos de conversa por parte de Netanyahu, dirigidos aos líderes do Bayit Yehudi, do Kulanu, do Yisrael Beytenu e do Shas (todos partidos de direita). Após esta vitória, Isaac Herzog, cabeça do partido União Sionista, não quis fechar a porta e afirmou: "Nada mudou, continuaremos a lutar por uma sociedade justa". Netanyahu, actual primeiro-ministro de Israel, tem esperança de constituir um governo dentro de duas, três semanas.

Os resultados oficiais divulgados até agora apontam para: Likud, 29 cadeiras, contra 24 da União Sionista; Lista Árabe Conjunta, 14 cadeiras, três a mais que o partido de centro, Yesh Atid; Kulanu, partido de centro-direita, aparece logo depois, com dez assentos, enquanto o ultranacionalista Lar Judaico fica com oito, um a mais que o ultraortodoxo sefaradita Shas.

Publicidade

Com mais assentos a distribuir, a composição política interessa bastante ao Ocidente, principalmente aos Estados Unidos. A relação entre os dois países tem-se deteriorado, sendo que Netanyahu afirmou recentemente que um estado palestiniano seria apenas um sonho, durante o seu governo. O director do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança, Paulo Gorjão, comentou: "A questão do Irão continua a ser uma questão muito complicada de gerir. Não auguro nada de positivo para a relação entre Israel e EUA, se Netanyahu se mantiver no poder. Se 'Bibi' [Netanyahu] voltar a ganhar, vamos ter mais do mesmo, em relação a EUA, Palestina e no contexto do Médio Oriente". #Política Internacional