A Nigéria tem ocupado os noticiários dos últimos meses pelas ações extremamente violentas do grupo jihadista Boko Haram, tornado infame pela sua brutalidade, que de certo modo espelha a do ainda mais mediático Estado Islâmico. A violência da organização, que já causou mais de 13.000 mortos, espalhou-se também para os países vizinhos, levando o Chade, o Níger e os Camarões a unirem-se ao governo de Abuja numa ofensiva combinada contra os jihadistas. Sexta-feira estas tropas anunciaram a captura de Gwoza, uma cidade no Norte da Nigéria que funcionava como o quartel-general do Boko Haram e capital do seu "califado", naquele que é certamente um golpe importante contra o grupo.

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Mesmo assim o governo do atual Presidente, Goodluck Jonathan, mantém-se ansioso, sobretudo porque as eleições se darão este sábado, e preveem-se tumultos.

Como sucedera em 2011, Jonathan terá como maior rival o principal candidato da oposição, Muhammadu Buhari. Na altura deram-se violentos confrontos entre os apoiantes de ambos os lados, que causaram mais de 800 mortos. É uma perspetiva que deixa a população nigeriana compreensivelmente nervosa, e sabe-se que muitos habitantes estão a acumular mantimentos para se prepararem para uma repetição desses eventos. O atual Presidente, contudo, já veio avisar que haverá segurança nas ruas e que nenhuma ambição política justifica o derramamento de sangue.

Também preocupantes serão os possíveis ataques do Boko Haram. Apesar de estarem consistentemente a perder a guerra contra a coligação que o enfrenta, o grupo tem, ainda assim, conseguido levar a cabo assaltos e outras atrocidades.

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Durante o abandono de povoações sob o seu controlo, os militantes massacraram as mulheres com quem haviam casado, utilizando a justificação de que elas não poderiam voltar a casar ou juntar-se a infiéis. Também existem relatos de que ataques noutras áreas teriam levado à captura de centenas de mulheres e crianças pelos jihadistas.

Não obstante, o facto é que estão em queda, estando milhares de refugiados já a regressar às suas casas. Sabe-se que os militantes fogem agora para as áreas mais remotas, enquanto a coligação elimina diversos redutos e outras posições em redor das povoações libertadas. As tropas internacionais sofreram, ainda assim, graves perdas. Surgiram também críticas em relação à cooperação das tropas nigerianas, classificadas por Idriss Deby, o Presidente do Chade, como incapazes, obrigando as tropas estrangeiras a agir em seu lugar.

A situação na Nigéria continua, portanto, sensível. Entre os insurgentes e a possibilidade de violência durante e após as eleições, as autoridades mantém-se atentas. #Terrorismo #Política Internacional