As Nações Unidas declararam recentemente que o escalar nos conflitos recentes no leste da Ucrânia já causou mais de 800 mortes e mais de 3400 feridos, com centenas de desaparecidos e muitos mortos e enterrados sem qualquer registo. Desde que o conflito começou, em Abril do ano passado, já houve mais de 6.000 mortes, diz Ivan Simonovic, Secretário-Geral Adjunto das Nações Unidas - e pelo menos 842 destas mortes ocorreram entre meados de Janeiro e meados de Fevereiro deste ano, de acordo com um relatório lançado pelas Nações Unidas. Segundo este relatório, um fluxo de militares e de armas sofisticadas provenientes da Federação Russa intensificou o conflito nas regiões de Donetsk e Luhansk.

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Este relatório, que declara que a intervenção russa levou a um aumentar do conflito, sabotando o potencial de paz e resultando num aumento significativo das mortes de civis e militares, foi lançado pela ONU em seguimento de um encontro entre o Secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey V. Lavrov, na Suíça, com o propósito de debaterem a crise na Ucrânia.

No Conselho dos Direitos Humanos, Lavrov declarou que o cessar-fogo na Ucrânia estava a ser consolidado, e que a decisão de qualquer nação europeia de enviar armas à Ucrânia iria perturbar a paz. Por sua vez, Kerry demonstrou preocupação com o cerco de Debaltseve e com a presença de separatistas apoiados pela Rússia perto da cidade portuária de Mariupol, onde um ataque em finais de Janeiro causou 31 mortes, num exemplo de bombardeamento indiscriminado em zonas civis.

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A existência de civis em áreas de conflito foi também uma preocupação do relatório, que diz que as tentativas de evacuação em regiões controladas pelo governo foram alvo de bombardeamentos. Ao mesmo tempo, as restrições impostas pelo governo no que respeita a viagens também dificultam a fuga das zonas de conflito. Mais de 400 civis são prisioneiros de grupos armados pró-Rússia e o relatório menciona ainda um padrão de desaparecimentos forçados, detenções secretas e tortura por parte de instituições responsáveis pela aplicação da lei.

John Kerry declarou, após o encontro com Sergey V. Lavrov, que este insistia que o Kremlin iria honrar o acordo de cessar-fogo e respeitar as questões levantadas pelos Estados Unidos. É, porém, difícil de compreender se isto indica algum progresso no apaziguar do conflito na Ucrânia.