A estimativa de um aumento de 10% relativamente a 2014 foi dada por Fu Ying, uma diplomata veterana chinesa que é porta-voz do Congresso Nacional Popular, o poder legislativo chinês, cuja reunião anual teve início na semana passada. Um aumento de 10% significa que os gastos militares estão a crescer mais rapidamente do que a economia chinesa. Este aumento coloca o orçamento militar chinês para 2015 em cerca de 145 biliões de dólares, tornando a China no segundo maior investidor do mundo nesta área, embora fique ainda bastante aquém dos Estados Unidos.

Segundo uma entrevista da Reuters a Richard A. Bitzinger, da Escola de Estudos Internacionais da Universidade Tecnológica de Singapura, que estuda os padrões do investimento militar da China, os orçamentos militares deste país foram sempre superiores à taxa de crescimento do PIB, mas esta é a primeira vez que a discrepância é realmente grande, o que demonstra o empenho da liderança chinesa em aumentar os seus gastos nesta área.

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A expansão militar da China é geralmente consistente com o seu crescimento económico e com o tamanho da economia, a segunda maior do mundo, que se espera que venha a ultrapassar a dos Estados Unidos da América. Ainda assim, o poder militar cada vez maior e mais moderno da China assusta as outras nações asiáticas, muitas das quais (como o Japão, o Vietname e as Filipinas) estão em disputas territoriais com a China nos mares da região.

Notícias recentes sugerem que a modernização e produção de armas avançadas é uma área de especial ênfase e crescimento nos orçamentos da China. Nos últimos anos, muita da modernização militar na China tem-se concentrado na marinha, não só devido às disputas com território nos Mares da China, como devido a potenciais cenários de guerra com o Taiwan, que a China considera como sendo parte do seu território.

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Per capita, os gastos da China com questões militares permanecem baixos, e prevê-se que os aumentos no investimento continuem elevados por mais de uma década. Xu Guangyu, consultor na Associação de Controlo de Armas e Desarmamento em Pequim, disse à Reuters que estima que estas alocações cada vez maiores do orçamento para a militarização continuem até que o gasto médio por cada membro das forças armadas seja semelhante ao do Japão.