Na passada quarta-feira, dia 18, durante uma visita a Cleveland, o Presidente norte-americano Barack Obama deixou no ar a sugestão de que os Estados Unidos da América poderiam beneficiar se fosse instituído o voto obrigatório. Inquirido sobre o poder e a influência do dinheiro nas eleições norte-americanas, Obama discursou sobre os direitos ao voto nos EUA e advogou que o voto se deveria tornar mais fácil e acessível no país. "Basta perguntarem à Austrália, onde os seus cidadãos não têm outra escolha se não votar", disse o Presidente dos EUA.

Obama defendeu que "se toda a gente votasse, isso mudaria completamente o mapa do político" dos EUA, chamando-lhe uma manobra "potencialmente transformadora", já que o voto universal se conseguiria opor ao dinheiro "mais que tudo", fazendo com que os políticos fossem obrigados a prestar mais contas aos cidadãos do que às empresas e lobistas que lhes financiam as campanhas.

Publicidade
Publicidade

"Há uma justificação para que alguns não queiram que todos votem", disse Barack Obama, fazendo referência a alguns estados liderados pelo Partido Republicano que querem criar legislação que torne ainda mais difícil o processo de registo e votação de algumas franjas da população.

Tem sido hábito do Presidente norte-americano falar sobre a fraca afluência dos cidadãos americanos às urnas em dia de eleições, e percebe-se o motivo. Só nas últimas intercalares de 2014, apenas 37% dos eleitores registados votou, de acordo com as estatísticas oficiais. Segundo um recente estudo da Pew Research Center, os americanos que evitaram mais as urnas no ano passado foram os mais jovens, os mais pobres, com menos escolaridade e pertencentes a minorias étnicas.

Pelo menos duas dúzias de países têm alguma forma de voto obrigatório, entre eles a Bélgica, Brasil e Argentina.

Publicidade

Em muitos desses sistemas, um cidadão que não vá votar em dia de eleição tem de apresentar uma desculpa válida ou é-lhe requerido o pagamento de uma multa. Obama disse achar "interessante" deixar no ar a ideia de os Estados Unidos passarem a consagrar na sua Constituição a regra do voto obrigatório. "Realisticamente, dado os requisitos que o processo implica, isso seria uma proposta longo prazo", disse o Presidente norte-americano. #Política Internacional