Totalizando um universo populacional que ultrapassa os 1360 milhões, a natalidade na China, em 2014, aumentou apenas 0,52%, em comparação com 2013. Em consequência disto, o governo chinês espera mais um milhão de nascimentos este ano, em comparação com 2014. Este aumento associa-se a uma maior abertura do regime quanto à regra do "filho único". Estando o crescimento populacional chinês parcialmente controlado, a pirâmide etária começa a mostrar-se envelhecida, e daí o alívio nas políticas de natalidade.

Apesar de, no ano passado, o governo chinês ter admitido que os casais com filho único podiam ter um segundo filho, para contrariar o envelhecimento da população, essa medida parece não estar a surtir efeitos. "Apenas 1 milhão de casais quis avançar para um segundo filho, isto num universo de 11 milhões".

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Em vez de enfrentar uma multa enorme, um aborto forçado ou a esterilização, que os infratores arriscaram durante as três décadas da política anterior, um casal, agora, pode candidatar-se a um subsídio de 1.600 dólares (perto de 1.500 euros).

Guo Min, contabilista de 61 anos, congratula-se com estes ajustes em termos de natalidade. "É tarde demais para mim, mas eu tenho certeza que vai ajudar muitas famílias", diz ao USA Today. Em meados da década de 1980, Guo teve uma filha e engravidou novamente. Sob a pena de perder o emprego, foi pressionada para abortar. No entanto, em 2005, a sua única filha morreu num acidente de viação. Em 2010, com 56 anos, recorrendo a inseminação artificial, teve dois gémeos. "Eu obedeci a uma velha política de planeamento familiar, mas trouxe-me muita dor".

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"Se o país ainda quer controlar a população, pelo menos, dêem-nos a hipótese de ter duas crianças."

A China pode considerar incentivos financeiros para casais que têm dois filhos, "mas será inútil, porque a única maneira de mudar a situação é dar-se todo o controlo natal aos pais", diz Liang Zhongtang, ex-conselheiro para a comissão do planeamento familiar da China, que não espera grandes avanços políticos na reunião legislativa deste ano.

Já Shi Huili, editora de imagem, com 31 anos, é da opinião que mais famílias terão mais filhos só depois de outras melhorias, como a educação de baixo custo e o acesso aos cuidados de saúde. Caso contrário, "ninguém se pode dar ao luxo de ter mais um ou dois filhos", explicou Shi. "Eu ainda estou preocupada com a minha menina e com a educação do meu futuro filho em Pequim. Temos de pagar bem para que entre numa boa escola."