A queda prolongada nos preços do petróleo, juntamente com a implosão na economia russa, está a causar vários problemas na Ásia central e no Cáucaso, criando preocupações acerca da estabilidade da região, ao mesmo tempo que abre portas para um maior papel da China. A queda de 50% nos preços, desde o verão passado, é já problemática para países como o Cazaquistão e o Azerbaijão, cujas receitas do Estado dependem fortemente da exportação de recursos energéticos fósseis, e que já tiveram de rever os seus orçamentos para este ano e recorrer, pela primeira vez, a fundos criados pelas receitas do petróleo. O Cazaquistão foi inclusive desvalorizado na agência de ratings Standard & Poor.

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Para outros países na Ásia Central, há a agravante dos problemas económicos da Rússia, com a contracção da economia e o colapso do rublo trazidos tanto pela queda nos preços do petróleo, como pelas sanções do Ocidente - isto forçou vários países na região a desvalorizar as suas moedas, fazendo as importações mais caras, inflacionando os preços da energia e enfraquecendo o sector bancário. Empréstimos tornam-se mais difíceis de pagar e os países tornam-se menos atractivos para o investimento.

Ao mesmo tempo, a crise económica russa tem impacto na vida dos trabalhadores imigrantes que enviavam remessas para os seus países de origem e que agora recebem cortes nos seus já baixos salários. O PIB de países como o Tajiquistão e o Quirguistão é largamente constituído por essas remessas, e os imigrantes vêem-se obrigados a voltar para casa, onde a moeda é mais fraca e há menos possibilidades de emprego.

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Com o regresso de jovens desempregados, a atmosfera política torna-se mais volátil, e países com regimes autoritários e com Estados quase falhados, como o Cazaquistão, o Tajiquistão, o Azerbaijão e o Quirguistão temem dissensão pública. Há a possibilidade do presidente de longa data do Cazaquistão antecipar as eleições antes que a crise agrave.

No entanto, há quem saia beneficiado desta situação. O Uzbequistão, por exemplo, beneficia do petróleo mais barato, e os países da região podem aproveitar a oportunidade para diversificar a sua economia e fugir da dependência do petróleo e gás natural. Mais que isso, a China, que há anos "luta" com a Rússia pela influência na Ásia Central, pode ter aqui a sua oportunidade. Há anos que o governo de Beijing tem planos multibilionários de criar uma rede de estradas, vias ferroviárias e oleodutos para o Médio Oriente para reforçar os seus laços físicos e económicos com a região, o plano "Silk Road". O abalo económico da Rússia faz a China parecer uma alternativa muito mais atraente em comparação, enquanto países como o Turquemenistão dizem que a Rússia não é um parceiro de confiança dada a queda no comércio energético.

Esta é certamente uma oportunidade para a China aumentar e alargar a sua influência na região, num momento em que a Rússia está descredibilizada tanto política como economicamente.