Doze prisioneiros foram enforcados no Paquistão esta terça-feira, dia 17. Este foi o maior grupo de pessoas executadas no mesmo dia desde que uma moratória não-oficial sobre a pena de morte foi levantada a 17 de Dezembro, após um Talibã ter atacado uma escola e assassinado 134 alunos e 19 adultos. Estas mortes pressionaram o governo a controlar a insurgência islâmica, mas a aplicação da pena de morte está a alargar-se.De acordo com o Ministério do Interior, estes homens eram não só terroristas mas autores de crimes hediondos e assassinos. Dos homens executados esta semana, um, de acordo com os advogados, tinha 16 anos quando foi condenado. De recordar que a aplicação da pena de morte não pode ser feita a menores de 18 anos na altura do crime.

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No início, após o levantamento da moratória sobre a pena de morte, o governo declarou que apenas militantes seriam executados. Porém, na semana passada, veio-se a descobrir que a política se aplicava agora a todos os prisioneiros no "corredor da morte" cujos recursos tinham sido rejeitados. Até agora, e desde Dezembro, 39 pessoas foram enforcadas, mas mais de 40 estão "agendadas" para a execução na semana que vem, de acordo com o Ministério do Interior. Um deles, Shafqat Hussain, tinha alegadamente 14 anos quando foi preso há uma década pelo rapto e homicídio de uma criança, e a sua sentença baseou-se numa confissão feita sob tortura. Foi prometida uma investigação acerca da idade de Hussain, mas os seus advogados dizem que ninguém foi contactado nesse sentido.

Há mais de 8.000 paquistaneses condenados à pena de morte, e o governo está a rever os casos de centenas deles.

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A moratória sobre a pena de morte tinha estado em vigor desde 2008, quando um governo democrático tirou o poder a um governo militar, mas grupos de Direitos Humanos, como a Amnistia Internacional, dizem que as condenações no Paquistão são muito pouco fidedignas, por se basearem num sistema de julgamento criminal antiquado que mal funciona, onde a tortura é comum e onde as forças de segurança não têm treino.