A Guerra de Donbass tornou-se, com alguma justiça, num importante foco da atenção dos media internacionais. Várias histórias percorreram o mundo vindas do Leste da Europa, incluindo o duelo pelo aeroporto de Donetsk, o cerco a Debaltseve, os encontros de aeronaves russas com as suas contrapartes da NATO, a morte do opositor político Boris Nemtsov, entre outras. Uma das mais incomuns e mediáticas, contudo, envolveu a piloto de helicópteros da Força Aérea Ucraniana Nadiya Savchenko, de 33 anos. A greve de fome de mais de 80 dias tornou-se num símbolo da resistência ucraniana contra o que descrevem como uma agressão russa, e da capacidade da população alinhada com Kiev de continuar a resistir às tentativas de anexação do território soberano desse país por parte de Moscovo.

A Tenente Savchenko foi capturada pelos rebeldes pro-russos durante confrontos perto da povoação de Metalist, a 18 de Junho de 2014, e terá seguidamente sido entregue às autoridades russas, que eventualmente a detiveram numa prisão em Moscovo a partir do início de Julho desse ano.

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As razões para tal, segundo o Kremlin, relacionam-se a sua participação num incidente que causara a morte de dois jornalistas russos. O incidente em si terá sido um ataque com morteiros, e convém recordar que armas de fogo indireto foram as principais responsáveis pelas cerca de 6000 mortes resultantes do conflito. O caso estará a ser encarado como se de um homicídio se tratasse, mas as autoridades ucranianas e os advogados de Savchenko insistem que se trata de uma prisão política, e que não se coaduna com a conduta esperada de um estado soberano para com prisioneiros de guerra.

Desde a chegada de Savchenko a Moscovo que o governo de Kiev tem feito esforços para a sua libertação, com o Presidente Petro Poroshenko a envolver-se pessoalmente na questão, tendo oficializado a entrega do título de Herói da Ucrânia à tenente no dia 2 deste mês.

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No entanto o governo de Vladimir Putin tem recusado todos os pedidos para a libertação da prisioneira, incluindo um baixo-assinado contendo 11.000 nomes, insistindo que está em curso uma investigação criminal e que o ato prejudicaria a mesma.

Foi ainda a 13 de Dezembro que Savchenko iniciou a greve de fome que chamou a atenção dos media internacionais. O caso iria arrastar-se por 83 dias, com as condições de saúde da prisioneira a deteriorarem-se gradualmente. A visita de uma equipa de médicos alemães havia entretanto anunciado que após a primeira semana de Março os danos seriam irreversíveis, e entretanto vários líderes e outras figuras importantes em redor do globo teriam enviado mensagens a Savchenko pedindo-lhe para terminar o protesto, considerando que, dadas as circunstâncias, o mesmo seria em vão. Segundo o líder dos tártaros da Crimeia, Mustafa Dzhemilev, um veterano da resistência contra o regime soviético, "A Rússia não é um país com princípios de humanismo".

Assim sendo, na passada quinta-feira, Savchenko decidiu finalmente interromper a greve.

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As autoridades russas haviam ameaçado enviá-la para um hospital, e no seu atual estado de saúde, ela não seria capaz de resistir nem à transferência nem ao tratamento, segundo informou Mark Feigin, um dos seus advogados (que também havia defendido as Pussy Riot no passado). No entanto este não é o fim da luta, e Nadiya Savchenko promete continuar a resistir de outras maneiras.