O espécime, com 2.8 milhões de anos, é 400.000 anos mais velho do que se julgavam ser os primeiros humanos. A descoberta, feita na Etiópia, sugere que foram alterações climatéricas que levaram a espécie a evoluir para a verticalidade, a sair das árvores e a tornar-se bípede. O chefe da investigação disse à BBC News que esta descoberta traz luz à transição mais importante da evolução humana.

Até aqui, o fóssil humano mais antigo era uma mandíbula encontrada em Hadar, também na Etiópia, datada de há 2,35 milhões de anos; esta descoberta faz a origem da humanidade recuar 400.000 anos, aproximando-se muito do seu provável antepassado pré-humano, a icónica Lucy, a primata aproximada de humana descoberta em 1974 na mesma região, dado que a mistura de características mais primitivas e avançadas estabelece uma ponte entre as duas espécies.

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Com esta descoberta, surge o debate sobre se a espécie de Lucy evoluiu para os primeiros humanos primitivos.

O fóssil, da metade esquerda do maxilar, foi encontrado por um estudante etíope, Chalachew Seyoum, na região de Ledi-Geraru. Este pedaço de maxilar tem cinco dentes e os molares de trás são mais pequenos do que os dos outros hominídeos encontrados na área. Esta é uma das características que distingue humanos dos seus antepassados mais primitivos, segundo o Professor William Kimbel, director do Instituto das Origens Humanas da Universidade Estatal do Arizona.

O Professor Chris Stringer, do Museu de #História Natural de Londres, sugere que metade de um maxilar não é suficiente para quantificar o quão humana a espécie era, e não há provas suficientes de que foi esta espécie que chegou ao Homo Sapiens Sapiens, dado que também se encontraram características humanas emergentes na África do Sul, criando as possibilidades de o Homem ter origens paralelas e de coexistência de diferentes espécies de humanos em África há dois milhões de anos.

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A data do maxilar encontrado pode também ajudar a responder a uma das questões principais na evolução humana: o que levou alguns primatas a descer das árvores e a estabelecerem-se no chão. Porém, ao mesmo tempo levanta também questões sobre o que é que constitui a espécie humana, se os dentes e maxilares pequenos, se as pernas, se a dimensão do cérebro, se uma combinação de factores.