É um debate que acontece sempre que os terroristas do Estado Islâmico publicam um vídeo mostrando as suas execuções violentas: devem os meios de comunicação mostrar ou censurar os vídeos? A estação de #Televisão italiana Rai News 24 decidiu e anunciou que não irá mostrar mais nenhum vídeo proveniente dos radicais islâmicos. "De cada vez que um destes vídeos chegava, iniciava-se entre nós uma espécie de debate para perceber como gerir uma coisa tão complexa", explicou a directora da estação pública, Monica Maggioni. "Até onde dar a ver o horror e a crueldade destes terroristas" era a questão que debatiam entre si.

Maggioni afirmou que o horror e a crueldade foram visíveis para todos e que, de ora em diante, a estação televisiva acabará com a máquina da propaganda.

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"Vejam bem, o ISIS transformou-se numa espécie de Hollywood do terror", disse a directora, notando aquilo que tem sido apontado pelos analistas às actividades do grupo: uma qualidade de produção invulgar nos vídeos, a par de um extraordinário poder de disseminação nas redes sociais.

Maggioni refere que os vídeos são estudados e que cada afirmação é cuidadosa. "Nós não queremos fazer parte da propaganda deles", que, tendo em conta os números de cidadãos europeus que se têm juntado ao Estado Islâmico, está a funcionar como desejam. Uma das notícias mais recentes é a de que o ISIS raptou 100 iraquianos sunitas perto de Tikrit, entre os quais se encontrarão crianças. "De que é que estamos à espera para parar, de ver as crianças em jaulas? Nós decidimos parar hoje."

Embora muitos meios de comunicação tenham passado os vídeos iniciais do ISIS, quando as decapitações começaram a correr o mundo, a recusa de continuar a dar tempo de antena às crueldades do grupo terrorista está a espalhar-se.

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No início de Fevereiro, quase todos os canais norte-americanos se recusaram a passar os vídeos da execução do piloto jordano Moaz al-Kasasbeh, que foi queimado vivo precisamente dentro de uma jaula. A Fox News foi a excepção, duramente criticada por um dos executivos da CNN.

O Estado Islâmico já executou duas mil pessoas desde o ano passado, e tem usado uma sofisticação e um cuidado extremo na filmagem das execuções. O grupo também tem uma forte estratégia de globalização através da internet, publicando cerca de 90 mil mensagens nas redes sociais todos os dias. #Terrorismo