No dia 6 do mês passado a capital do Iémen, Sana'a, foi ocupada por forças rebeldes, obrigando à fuga do Presidente, Abdrabbuh Mansour Hadi, que se refugiou desde então numa base em Áden, na costa oeste do país. A situação tem permanecido extremamente tensa desde então, com confrontos a prosseguirem ao longo do país. Esta quinta-feira, dia 19, surgiram relatos de que um ataque perpetrado por aeronaves militares que estavam estacionadas na capital aquando da ocupação rebelde causara estragos na guarnição leal ao Presidente, em Áden. As informações ainda são escassas, mas sabe-se que a artilharia anti-aérea lealista abriu fogo sobre os possíveis atacantes, que terão assim sido forçados a recuar.

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No entanto, foram vistas colunas de fumo na área da base, pelo que é possível que as aeronaves tenham causado estragos.

Mas talvez o ataque tenha sido em vão, uma vez que é possível que o Presidente Hadi nem estivesse presente em Áden. A verdade é que os rebeldes tentam legitimar o governo provisório que colocaram em funcionamento desde que ocuparam Sana'a. A nação do sul da Península Arábica nunca foi realmente estável, tendo sofrido algum tipo de conflito interno desde a unificação do país nos anos de 1960. Recentemente o frágil governo tem enfrentado diversas fações jihadistas, inclusive da al-Qaeda, com a ajuda dos Estados Unidos a revelar-se insuficiente para lidar com o crescente caos.

Mas talvez a mais grave destas revoltas seja a da etnia houthi, que ocupa a maioria do norte do país.

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Apesar de supostamente estarem a agir em auto-defesa, acusando o governo de os atacar, os houthi acabaram por ver a sua luta apoiada por uma boa parte dos habitantes de Iémen, sobretudo porque o governo de Hadi e dos seus predecessores tem sido tradicionalmente visto como opressivo e corrupto. Esta realidade levou ao apoio e manutenção por parte da população dos diversos exércitos rebeldes que grassam pelo país.

A ONU já descreveu a ocupação da capital como um golpe de estado. O Presidente havia pedido a demissão no fim de janeiro, considerando a sua posição indefensável. No entanto, o parlamento recusara o pedido, e desde então que Hadi tem feito pedidos para que todos aqueles que são leais ao governo se reúnam em Áden. A cidade tornou-se, pois, no novo centro político do país, motivo pelo qual os rebeldes sentem necessidade de pressionar a guarnição da mesma. Já no início deste mês se haviam dado combates ferozes em redor do aeroporto internacional.

Apesar de as forças governamentais se estarem assim a reunir na costa oeste do Iémen, a verdade é que os rebeldes houthi não se podem concentrar nesses inimigos prioritários.

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Numa situação que talvez recorde por demais a guerra na Síria, a situação no terreno implica uma série de teatros que obrigam as forças que ganham mais território a empregar maiores esforços para o defender. A leste, os houthi são agora forçados a enfrentar outros exércitos rebeldes, incluindo a sempre agressiva al-Qaeda. Todas a tentativas da ONU de fazer conversações de paz falharam, e é pouco provável que as forças envolvidas procurem compromissos enquanto esperarem ganhos no terreno. #Terrorismo