A fotografia da criança que confundiu a teleobjectiva de um fotojornalista com uma arma e se rendeu ao levantar os braços tornou-se viral. A BBC encontrou o fotógrafo que retratou o momento: Osman Sağırlı. O fotojornalista turco, que agora trabalha na Tanzânia, afirma que as fotografias tiradas a crianças em campos de refúgio são particularmente reveladoras, já que as crianças "reflectem os seus sentimentos através da sua inocência". A menina, chamada Adi Hudea, tem 4 anos. Encontrava-se resguardada com a mãe e dois irmãos - o seu pai morreu nos bombardeamentos - no campo de refugiados Atmeh em Dezembro de 2014, altura em que foi tirada a fotografia.

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O campo de refugiados encontra-se a 150 quilómetros da sua localidade de origem (Hama) e a 10 quilómetros da fronteira turca.

A fotografia tornou-se viral ao ser partilhada na rede social Twitter pela fotojornalista Nadia Abu Shaban, na terça-feira. O post original foi partilhado na rede social mais de 15 mil vezes e a imagem espalhou-se rapidamente pela Internet e por outras redes sociais. Como a jornalista não identificara o autor do retrato, várias questões como a autenticidade da fotografia foram levantadas e foram agora esclarecidas pelo autor da imagem.

A fotografia foi publicada em Janeiro no jornal Türkiye, onde Sağırlı trabalha há mais de 25 anos na área de conflitos bélicos e de desastres naturais no estrangeiro. A imagem tinha sido partilhada profusamente nas redes sociais turcas, mas só ganhou visibilidade fora do país quando partilhada por Nadia Abu Shaban.

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A Síria tem cerca de 5,6 milhões de crianças em risco humanitário, segundo o relatório Falling Syria - elaborado por organizações como a Oxfam e Save the Children. A resposta humanitária diminuiu: os 71% dos fundos necessários para apoiar os civis na Síria e os refugiados nos países vizinhos arrecadados em 2013 baixaram para 57% em 2014. O ano de 2014 foi fatal para 76 mil pessoas envolvidas nos conflitos sírios; desde o início da Guerra na Síria morreu um total de 220 mil pessoas. O conflito interno na Síria teve início no ano de 2011 com protestos contra o presidente Bashar Al-Assad.