Têm havido diversas notícias de desaparecimentos de cristãos das aldeias do norte da Síria. Esta semana foi anunciado o desaparecimento de mais 15 cristãos que, segundo referiu um padre ao site cristão Aleteia, "já estarão mortos". O padre, Emanuel Youkhana, do Christian Aid no Iraque, e responsável por elaborar relatórios acerca da situação na Síria para todo o mundo, refere que os mortos eram "jovens que terão resistido e defendido a aldeia e as suas famílias e terão sido martirizados por isso".

Segundo o padre, entre combatentes e civis, ao longo do tempo terão sido capturados mais de 350 cristãos, muitos deles com mais de 70 anos.

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Youkhana adiantou que "não se conhece o seu paradeiro, embora haja muita especulação". Contudo, uma mesquita numa aldeia árabe de Bab Alfaraj convocou os seus fiéis para participar num "assassinato de massa de infiéis na montanha de Abdul Azizi na sexta-feira", refere o relatório do padre divulgado na imprensa.

Youkhana disse ainda que ninguém escapou ao ataque que o ISIS fez à aldeia de Tel Shamiram, onde habitavam 51 famílias, com uma média de 5 pessoas cada uma. Houve muita resistência dos habitantes da aldeia que "trocaram tiros", relatou o padre. Apesar de muitos terem sido mortos, não se sabe o destino das suas famílias, sendo possível que estejam a ser levados para Abdul Aziz, uma região controlada pelo ISIS. Outras aldeias sírias cristãs também foram atacadas, incluído Tel Gouran, Tel Feytha, Tel Jazira e Qabir Shamiya.

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Youkhana relatou ainda que existem cerca de 800 famílias refugiadas em Hassakah e 175 em Qamishli, mas calcula-se que o total ronde as 1200 famílias. Os únicos sobreviventes são combatentes de Tel Amar, aliados a combatentes curdos, que esperam que a região seja libertada.

Segundo a Agência Católica de Notícias, a Turquia está, por seu lado, a impedir os refugiados de atravessarem a fronteira turca, que está fechada para os sírios. Suspeita-se que, pelo menos, 300 famílias foram travadas diante da fronteira turca. Tanto o Conselho de Segurança da ONU, como os EUA, condenaram fortemente o sucedido e exigiram a libertação dos prisioneiros do ISIS.

A Reuters, que divulgou a notícia, interpretou estes ataques como sendo uma forte ofensiva do grupo islâmico para recuperar uma parte de um território muito importante para o grupo, referindo que o ISIS controla já 10 aldeias cristãs. Rami Abdulrahman, uma testemunha do Observatório Sírio para os Direitos Humanos, relatou que o ISIS "levou as pessoas que raptaram para o seu território". #Religião