Em grande medida devido à posição em que se encontra e aos inimigos que a mesma lhe oferece, tanto modernos como históricos, a Coreia do Sul sempre levou a sua defesa muito a sério. Por isso mesmo já desde há longas décadas que despende fortes investimentos na produção de equipamento militar próprio. Um claro exemplo é o carro de combate K1, um desenvolvimento indígena baseado no maior M1 Abrams americano, mas mais leve e compacto de modo a poder fazer uso das pontes e outras vias de transporte presentes naquele país eminentemente montanhoso. Mais recentemente o K1 começou a ser suplantado pelo K2 Black Panther, ligeiramente mais pesado e que já recebeu algumas propostas de exportação, havendo até rumores de que algumas unidades teriam sido testadas na Guerra de Donbass.

Por outro lado e apesar de ter produzido localmente os seus F-16, a Coreia do Sul esteve tradicionalmente dependente da importação de modelos de caças estrangeiros.

Publicidade
Publicidade

No entanto essa atitude mudou recentemente, com a empresa aeronáutica coreana, a KAI, a ligar-se à gigante americana Lockheed (que produz os mencionados F-16), para o desenvolvimento de um caça indígena. O resultado foi o T-50 Golden Eagle, que se revelou um sucesso de vendas.

Mas a cooperação entre as duas empresas deseja ir mais longe, e no início desta semana ganhou um contrato com o governo de Seul, avaliado em 7,5 mil milhões de euros, para o desenvolvimento e produção de 120 caças de próxima geração, muito mais capazes do que o ligeiro T-50, designados KF-X. Entretanto Seul também decidira adquirir 40 caças F-35 americanos, talvez os mais sofisticados do mundo, mas que também têm vindo a sofrer de um complicado processo de desenvolvimento.

Não é só no plano material que a Coreia do Sul investe na sua defesa, contudo.

Publicidade

Está em curso o sempre polémico exercício Foal Eagle, que tanto incomoda o regime da Coreia do Norte, e que serve para manter o nível de preparação das tropas de Seul e Washington, e também para demonstrar o compromisso americano de defender os seus aliados na região. Um total de 7600 militares, dezenas de aeronaves e navios, e centenas de veículos terrestres, simularam este fim-de-semana um desembarque anfíbio em Pohang, a sul de Seul.

Apesar da irritação em Pyonyang, estes exercícios servem sobretudo para avisar Pequim das capacidades militares dos seus potenciais inimigos. Isto porque a República Popular da China tem vindo a apresentar ambiciosas e agressivas reclamações territoriais em toda a região da Ásia-Pacífico, e construindo a força militar para as suportar. Em paralelo com o Foal Eagle, Pequim levou a cabo esta segunda-feira o seu primeiro exercício aéreo sobre o Pacífico Ocidental. Bombardeiros e caças de longo alcance voaram sobre o Estreito de Bashi, entre Taiwan e as Filipinas, e que é reclamado por ambos como parte do seu território, assim como pela China continental.

Publicidade

Esta é uma verdade que demonstra a complexidade das relações políticas entre as nações da região. Disputas existem em paralelo com investimentos e acordos comuns, e a título de exemplo diga-se que Seul tem disputas territoriais, em alguns casos amargas, com Tóquio, não obstante ambos formarem uma frente unida conta Pequim. Esta dinâmica certamente que justifica necessidade sul-coreana de manter uma defesa própria e bastante forte. #Política Internacional