O ex-primeiro-ministro italiano Sílvio Berlusconi afirmou que o dinheiro gasto ao longo de vários anos com mulheres, para estas virem às suas famosas festas, era tão só uma "iniciativa pessoal generosa e altruísta". Depois de aconselhado pelos seus advogados a parar de gastar dinheiro com cerca de 20 mulheres, Sílvio Berlusconi endereçou-lhes uma carta em que se referia à natureza altruísta dos valores que lhes pagava.

Na carta datada de dezembro de 2013, mas apenas divulgada esta terça-feira, dia 17, pela imprensa italiana, Berlusconi diz que os seus advogados "apesar de compreenderem a generosidade e altruísmo da minha iniciativa, convidaram-me com absoluta determinação a não continuar com o apoio económico mensal".

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O motivo para cessar tal comportamento foi "porque se poderia atribuir a minha ajuda e a sua aceitação a uma finalidade diferente da verdadeira. Por estas razões vejo-me obrigado a suspender a partir de janeiro qualquer contribuição minha".

Ficou a conhecer-se o conteúdo da carta depois de, no passado fim de semana, a comunicação social italiana ter informado que o ex-primeiro-ministro teria pago a essas mulheres cerca de dois milhões e meio de euros, durante mais de três anos, para que estas frequentassem as suas festas "bunga bunga".

O jornal diário La Repubblica publicou este sábado uma reportagem em que fornece algumas das informações que vieram hoje a público com a publicação da carta, no âmbito da investigação do processo "caso Ruby", um dos casos que envolveu o ex-primeiro-ministro e magnata italiano.

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O diário explica ainda que todos os pagamentos às jovens provinham única e exclusivamente de Silvio Berlusconi, de maneira direta ou indireta.

Segundo os cálculos do jornal, as duas dezenas de mulheres receberam desde 2010, e durante 3 anos sucessivos, cerca de 1.700.000 de euros, e nos primeiros meses de 2014 quase 400.000 euros, além dos apartamentos e vivendas que Berlusconi lhes presenteava. Estes novos factos vêm a ser conhecidos uma semana depois do Supremo Tribunal italiano ter confirmado a absolvição do ex-primeiro-ministro pelas acusações de abuso de poder e incitamento à prostituição de menores. Berlusconi está ainda impedido, desde 2013, de exercer cargos públicos durante 6 anos.