O parlamento ucraniano debateu as reformas necessárias que o FMI exigiu em troca para do empréstimo de 17,5 biliões de dólares. As reformas foram debatidas no parlamento, no início da semana passada. Entre as medidas a debater encontrava-se um subsídio para deslocados, em resultado da guerra a leste da Ucrânia. A ONU, através da sua agência de refugiados, divulgou que existem na Ucrânia 943.500 pessoas deslocadas. O governo ucraniano propôs uma medida para apoio a refugiados no valor de 1,9 bilião de dólares.

A ministra das Finanças ucraniana, Natalia Yaresko, disse que o objectivo é "aumentar o apoio financeiro a quase 1 milhão de pessoas que ficaram sem casas e tiveram de deslocar-se para evitar os conflitos no leste." Mas a ministra não mencionou os mais de 1 milhão de ucranianos que se refugiaram na Rússia.

Publicidade
Publicidade

As reformas a implementar pela Ucrânia para este empréstimo implicam também a reforma das pensões, o aumento do preço do gás, protecção aos direitos de investidores, assistência financeira a famílias de baixo rendimento e alterações ao Orçamento de 2015. A reforma das pensões para os idosos foi um dos pontos mais polémicos debatidos na assembleia, porque a lei prevê uma redução de 15% nas pensões para os pensionistas que ainda trabalham (parcial ou por inteiro). O Primeiro-ministro ucraniano referiu acerca esta polémica: "Eu sei que esta não é melhor lei nem a melhor solução, Só teremos boas soluções quando tivermos um pais estável, e só teremos um pais estável quanto pararmos a corrupção e a guerra", disse Arseniy Yatsenyuk. Os reformados que recebem uma pensão abaixo dos 56 dólares não serão afectados, disse o ministro.

Publicidade

O gás, de que a população ucraniana tanto depende, também vai ser aumentado. O governo ucraniano aumentou em 70% os impostos para as empresas de gás - que são apenas 2 empresas estatais. A Ucrânia não consegue resolver os seus problemas internos sem a ajuda do Ocidente, dada a massiva corrupção e uma economia desequilibrada. A inflação não oficial na Ucrânia é de 270%, em vez dos oficiais 28%, noticiou o Washington Post, na semana passada. O jornal cita o professor Steve Hanke, que atribui esta percentagem a problemas que a Ucrânia herdou da ex-União Soviética, como a corrupção e uma economia paralela muito forte. O FMI confirma esta situação e calcula que a percentagem do PIB em economia paralela e fuga aos impostos na Ucrânia é de 50%.