O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Pavlo Klimkin, viajou até Tóquio, onde se encontrou oficialmente com o seu homólogo, Fumio Kishida, e com Shinzo Abe, primeiro-ministro do Japão. No cenário de crise aguda entre a Rússia e a Ucrânia, o Japão expressa desta forma o seu apoio e reconhecimento a Kiev. Por seu lado, a Ucrânia reencontra mais um importante aliado, sabendo que só uma forte integração e apoio internacionais lhe poderão valer face à pressão do seu gigante vizinho. Em jeito de brincadeira, o ministro ucraniano publicou uma foto no Twitter, referindo que a escolha das gravatas - reproduzindo as cores da bandeira da Ucrânia - não foi intencional.


Pavlo Klimkin deixou, na presença dos seus aliados de Tóquio, vários recados à comunidade internacional. Relembrou a necessidade de fechar a fronteira com a Rússia, uma vez que os separatistas estarão a receber apoio militar da "Mãe Rússia" - uma alegação sempre negada por Moscovo. Reiterou também que a normalização das relações com o vizinho só poderá surgir com a devolução da Crimeia. Recorde-se que se assinala este mês o primeiro aniversário da anexação formal da província ucraniana da Crimeia por Moscovo - um fait-accompli que não teve resposta directa por parte de Kiev ou da comunidade internacional. O ministro ucraniano apelou ainda ao cumprimento dos acordos de Minsk.


O Japão aproveita esta visita para enviar uma mensagem de compromisso internacional com os seus aliados ocidentais. Além disso, é uma mensagem dirigida também à China. Recorde-se que Pequim declarou recentemente o seu apoio a Moscovo, relativamente à questão da Ucrânia. O Japão e a China têm atravessado um período de tensão crescente, à medida que Tóquio vê crescer o investimento na Defesa por parte dos chineses. Assim, o Japão reforça o alinhamento com os Estados Unidos - intransigentes defensores da Ucrânia, desde o início da crise - e com a Europa, situando a Rússia e a China do "outro lado" da barricada. 


Recorde-se que a Ucrânia é um país de 44 milhões de habitantes, enquanto a Rússia tem cerca de 143 milhões de habitantes. A disparidade de meios económicos e militares entre a Rússia e os seus pequenos vizinhos europeus continuará a motivar receios nas capitais da Europa Oriental.