Desde meados de junho de 2014 que uma ampla coligação internacional liderada pelos Estados Unidos da América tem feito ataques aéreos contra o Estado Islâmico, nas suas posições dentro dos territórios da Síria e do Iraque. Apesar de se terem dado algumas perdas, incluindo a captura e execução de um piloto jordano após o seu avião ter sofrido uma avaria e caído, tanto quanto se sabe não houve ainda disparos premeditados contra aeronaves americanas, que compõem a grande maioria das forças comprometidas nos ataques aéreos. Esta terça-feira isso teria mudado quando as forças armadas sírias dispararam contra um VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado) americano, um dos famosos MQ-1 Predators.

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Fontes do governo de Damasco já vieram informar que o aparelho teria entrado numa área não-autorizada pelo acordo que permite os ataques aéreos, sendo assumido que estaria a levar a cabo atos de espionagem, e abatido por esse motivo.

As autoridades americanas ainda não confirmaram o abate, mas admitem que o VANT em questão teria deixado de emitir sinais, sendo dado como perdido em ação. O relacionamento entre Damasco e Washington tem sido tenso, já antes do início dos ataques. Com o espoletar da guerra civil na Síria, em 2011, o governo de Barack Obama havia assumido uma posição bastante dura contra o regime de Bashar al-Assad, indo ao ponto de dizer que o líder sírio teria de ser deposto. No entanto a ascensão do Estado Islâmico mudou tudo isso. Financiados pelos EUA e, sobretudo, pela Arábia Saudita, para contrariar Damasco, o EI rapidamente saiu fora de controlo (como a al-Qaeda havia feito no passado), tornado-se inimigo dos seus criadores, e, talvez, um tácito aliado de Ancara.

O início da guerra contra o EI levou a uma mudança da posição de Washington em relação a Damasco.

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Sabendo que as principais posições dos jihadistas estavam dentro do território sírio, e com a Turquia a recusar operações a partir do seu espaço aéreo, Obama viu-se obrigado a fazer um acordo com Assad. Estando a combater uma dura batalha em várias frentes, este último permitiu a intervenção a partir de setembro do ano passado, desde que fosse informado de antemão, e desde que essas aeronaves não atacassem posições do seu exército.

Esta postura levou a um aligeirar da posição do governo de Obama, com o Secretário de Estado John Kerry a assumir recentemente que talvez se devesse chegar a um acordo com Assad. Essa admissão não caiu bem junto do público americano e da comunidade internacional. De notar são os líderes de outros estados árabes ligados à Arábia Saudita, que preferiam ver o líder sírio fora do poder, de modo a criar um estado inimigo do Irão, em vez de seu aliado. Por outro lado, o Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Frank-Walter Steinmeier, já admitiu que após a derrota do EI, seria necessário ir para a mesa de negociações para acabar com a violência na Síria, uma vez que não parece provável que isso suceda pela via militar.

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No entanto, o abate do Predator demonstra que Damasco estabeleceu linhas rígidas em redor das operações da coligação, e que não permitirá o atravessar das mesmas, ou pelo menos assim quer dar a entender. Assad estará compreensivelmente desconfiado das motivações americanas e sauditas, especialmente após quatro anos de um caótico conflito que já levou à morte de quase um quarto de milhão de pessoas. #Terrorismo #Política Internacional