O sempre polémico ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis afirmou, numa entrevista publicada este domingo num jornal grego, que em caso de falha nas negociações com a Alemanha e o Banco Central Europeu, a Grécia poderia avançar com um referendo nacional em relação à permanência na Eurozona. O país poderia avançar até para eleições antecipadas, caso a posição do governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras se revele impossível. O partido de esquerda Syriza havia subido ao poder em Atenas a 25 de janeiro, através de uma série de promessas em que se afirmava que iria proteger os mais pobres, revitalizar a economia e renegociar a dívida com os estados europeus.

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No entanto, a falta de dinheiro e as negociações difíceis com a Alemanha tornaram algumas destas promessas impossíveis de serem cumpridas no período estipulado, levando a cisões internas no governo e mesmo a confrontos de rua em Atenas.

Não obstante, as afirmações de Varoufakis prendem-se com cenários hipotéticos, ou pelo menos é essa a posição das autoridades gregas, uma vez que mesmo, com o apoio popular ao Euro, resultados fracos num possível referendo permitiriam ao atual governo pedir eleições antecipadas e ainda assim salvar a face. Convém, ainda assim, admitir que a proposta não deixa de ser arriscada, tanto interna como internacionalmente. A postura do governo grego, e a intransigência alemã, criaram verdadeira instabilidade dentro da Eurozona, com porta-vozes de diversos países a acusarem-se mutuamente de apoiar uma ou outra das partes, polémica na qual o governo português caiu com alguma relevância.

Pior ainda, talvez, é o panorama global.

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Esta instabilidade dá força à posição russa e chinesa no palco internacional, e que deixa os Estados Unidos receosos, uma vez que a Europa Ocidental é vista como uma rede de alianças seguras desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A possibilidade de queda do Euro iria abalar grandemente essa posição, o que, dada a conjetura atual, não interessa a Washington. Por isso mesmo é que o governo de Barack Obama tem feito constantes pedidos para que os governos europeus cheguem a um consenso.

No entanto, o cenário permanece complicado. Conquanto Atenas avança com propostas com vista a reestruturar a dívida de modos que, segundo o Syriza, permitam a melhor gestão da mesma e crescimento económico nacional, o resto da União permanece cética, em grande medida. O historial grego que levou à crise nacional certamente não ajuda, mas a catástrofe laboral que varre o Sul da Europa apenas poderá levar ao extremar das opiniões políticas. Basicamente, se não houver rapidamente consenso de algum género, o resultado final poderá muito bem ser o mirrar da Europa e a sua perda de relevância futura.