As relações entre a Alemanha e a Grécia "bateram no fundo" este domingo, quando o ministro das Finanças helénico, Yanis Varoufakis, se viu obrigado a negar ter "mostrado o dedo" à Alemanha num vídeo do YouTube com quase dois anos, mas que foi agora recuperado por uma cadeia de televisão germânica. Foi no Günther Jauch, um dos programas de discussão política mais vistos na Alemanha, no canal estatal ARD, que passou o vídeo no qual se vê Varoufakis a criticar o governo grego por aceitar as condições de resgate da União Europeia. Nas imagens, filmadas numa conferência em Zagreb em Maio de 2013, o titular da pasta das Finanças disse, em Inglês: "A Grécia devia simplesmente anunciar que está em default, como fez a Argentina, dentro do euro em 2010, e mostrar o dedo à Alemanha - é nesta altura que, aparentemente, o agora ministro levanta o dedo do meio - e dizer: 'bem, agora podem resolver este problema sozinhos'".

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Jauch questionou Varoufakis, enquanto este abanava a cabeça: "O dedo do meio para a Alemanha, Sr. Ministro? Os alemães são os que pagam mais e são os mais criticados por isso. Como é que isto faz sentido?". O grego alegou que o vídeo foi alterado e que ele "nunca" mostrou o dedo. No entanto, Alessandro Del Prete, que publicou no YouTube o vídeo de seis minutos do qual o clipe foi retirado, respondeu no Twitter, assegurando que o vídeo não foi alterado.

O vídeo, e o consequente debate sobre a sua autenticidade, dominou as manchetes nos jornais alemães esta segunda-feira. O Bild, um dos mais influentes do país, perguntava: "Terá Varoufakis mentido no Jauch?". Mas havia também críticas à forma como a ARD apresentou o discurso do ministro, alegadamente com o objectivo de aumentar o já de si visível antagonismo entre os dois países.

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O colunista Stefan Niggemeier, fundador do website sobre media Bildblog, lamentou que a ARD tenha cortado o som quando Varoufakis se referiu a Janeiro de 2010, dando a ideia de que o governante estava a falar sobre a situação e a atitude actual da Grécia. Em resposta, Andreas Cichowitz, editor da ARD responsável pelo programa, disse no Twitter que deveria ter ficado claro que Varoufakis se referia a 2010.

Na segunda-feira, a ARD emitiu um comunicado no qual afirmava que não tinha detectado "qualquer indício de manipulação ou falsificação no vídeo mostrado no programa em directo". Entretanto, Varoufakis reiterou que o vídeo foi alterado, dizendo ao Der Spiegel: "O vídeo foi falsificado, sem qualquer dúvida". O ministro foi também satirizado por alguns órgãos de comunicação social alemães por ter tentado desvalorizar a situação grega, referindo-se a esta como "problemas de liquidez insignificantes".