A crescente tensão entre os governos venezuelano e norte-americano é o motivo dos exercícios em terra, ar e mar na Venezuela. Os 100 mil militares estão a preparar-se para uma suposta ameaça dos Estados Unidos da América. As atividades civis e militares contaram, ainda, com blindados anfíbios chineses e mísseis russos. Ontem foi o primeiro dia de manobras convocadas por Nicolás Maduro, presidente da Venezuela.

De acordo com informações reveladas pelo ministro venezuelano da defesa, o general Vladimir Padrino López, o primeiro dia de manobras contou com o desembarque de homens da Infantaria de Marinha em refinarias, exercícios com sistemas antiaéreos e prática de tiro de brigadas blindadas no oeste do país, na direção da fronteira com a Colômbia (principal aliado dos EUA na sub-região).

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Mas sábado não foi apenas um dia de exercícios militares. Também se registaram atividades civis: grupos de operários de siderúrgicas, refinarias e centrais elétricas fizeram simulações de defesa dos seus locais de trabalho. As manobras civis terão contado com cerca de 20 mil pessoas, afirma o general Padrino López.

Na sua conta do Twitter, Maduro deixou uma mensagem: "Felicito a FANB (Fuerza Armada Nacional Bolivariana) e o povo pelos exercícios conjuntos". Os exercícios foram acompanhados durante todo o dia pela televisão pública, que transmitiu, por exemplo, imagens de combates simulados entre blindados. Nos últimos dias, a tensão entre a Venezuela e os EUA tem aumentado drasticamente. O presidente norte-americano Barack Obama ordenou a aplicação de novas sanções a sete altos responsáveis venezuelanos por alegada violação dos direitos humanos.

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Num comunicado, a Casa Branca acrescentou ainda que a situação na Venezuela representa um "risco para a segurança nacional e política externa dos EUA".

Já o presidente venezuelano Nicolás Maduro, sucessor de Hugo Chávez, tem reforçado o seu discurso anti-Estados Unidos. Numa tentativa de evitar uma escalada regional, a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) pediu este Sábado ao governo norte-americano a anulação das sanções impostas a funcionários venezuelanos. O pedido parece não ter provocado ainda nenhuma reação em Washington.