O caso Germanwings tem dado que falar desde o fatídico dia do acidente, 24 de março, e parece que não tem fim. Depois de se conhecerem os 30 minutos finais do voo que ligava Barcelona a Düsseldorf, o jornal alemão Bild transcreveu os últimos 22 minutos do que se ouviu no cockpit. Quando Patrick Sondenheimer começou a falar com Andreas Lubitz sobre a manobra de aterragem em Düsseldorf, o copiloto respondeu com pequenos comentários como "oxalá" e "veremos". Eram 9h27, hora de Lisboa.

Se na altura eram palavras enigmáticas, agora percebe-se que Lubitz já estava a preparar aquilo que seria "algo que vai mudar todo o sistema", tal como tinha dito a uma ex-namorada. No início das gravações, agora transcritas, ouve-se Sondenheimer a comentar com Lubitz que, com todo o aparato por causa do atraso do voo, não tinha conseguido ir à casa de banho. O copiloto aprontou-se, de imediato, a dizer que o capitão podia ir a qualquer momento à casa de banho, pois ele ficava ao comando do avião. Quando atingem os 11 600 metros de altitude, e depois das respostas enigmáticas de Lubitz, este diz ao capitão "podes ir agora (à casa de banho)". Sondenheimer diz "deixo-te ao comando do avião", ouve-se uma cadeira a arrastar e a porta a fechar. Foi às 9h29 que Lubitz ficou sozinho na cabine de voo.

E foi exatamente às 9h29 que os radares começaram a registar a primeira descida de altitude. Três minutos depois os controladores aéreos tentam contactar o avião, contudo não obtêm resposta. Eram 9h32 quando os alarmes do avião começaram a disparar por perda de altitude. No mesmo minuto, o capitão bate à porta e grita "Por amor de Deus, abre a porta", ao fundo podem ouvir-se os gritos de passageiros. Às 9h35 ouve-se "um barulho metálico a bater contra a porta do cockpit", pensa-se que o capitão tentou abrir a porta blindada com um pequeno machado, contudo não teve sucesso. A presença de um machado no Airbus A320 já foi confirmada por um porta voz da Germanwings. 90 segundos depois dessa tentativa, ouve-se o alarme do avião: "Chão! Levantar! Levantar!". Em pânico, o capitão volta a gritar "Abre a maldita porta". Mas Lubitz não responde, apenas se ouve o som da sua respiração.

Às 9h38 o avião está apenas a 4 mil metros de altitude e a única coisa que se ouve é a respiração de Andreas Lubitz. Às 9h40, parte do avião toca numa das montanhas e voltam a ouvir-se os gritos desesperados dos passageiros. Depois disto, não há qualquer som na caixa negra do A320. Morreram 150 pessoas.