O desaparecimento de Vladimir Putin a partir do dia 5 do presente mês levantou um coro de vozes que teorizavam acerca do que estaria a suceder com o Presidente russo. Mais curioso ainda foi o cancelamento de diversas reuniões importantes, incluindo encontros na Ossétia do Sul ou no Cazaquistão, aliados próximos de Moscovo. As teorias eram várias e apresentavam diversos níveis de credibilidade. Algumas vozes proclamavam que Putin estaria simplesmente doente, com uma constipação que o afastara da vida pública por uns dias, ou então sofrendo de stress. Outros referiram teorias políticas, que conjuravam um golpe de estado no Kremlin, ou mesmo o planeamento da Terceira Guerra Mundial.

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No entanto, esta segunda-feira, dia 16, Vladimir Putin ressurgiu para participar num encontro com o Presidente do Quirguistão, Almazbek Atambayev, que teve lugar em São Petersburgo. Curiosamente, esta reunião já havia sido alvo de comentários humorísticos no passado fim-de-semana, uma vez que o jornal estatal Rossiya 24 havia já feito um artigo sobre o encontro, narrando-o no pretérito passado, levando a comunidade online a declarar que Putin teria desaparecido porque teria viajado até ao futuro.

De bom humor, se bem que um tanto pálido, o líder russo não se coibiu de comentar acerca dos rumores dos últimos dias. "Seria aborrecido sem o falatório," disse Putin. Já o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, foi muito mais sarcástico, fazendo referências às teorias de golpe de estado e ao boato sobre o nascimento de um filho de Putin com a amante, Alina Kabaeva. Reiterou ainda que fora sempre honesto sobre o que se estava a passar, e que Putin teria sido desviado para outras tarefas que requeriam a sua atenção imediata.

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"É impossível dizer mais," declarou Peskov em tom de finalização.

No entanto este não será o fim da história. A verdade é que não se conhecem quaisquer detalhes acerca do que terá Putin feito nestes dias. E conquanto tal não seja incomum em qualquer estado, ainda para mais potências com influência global, o facto permanece que as ações das forças armadas russas têm agitado os nervos dos líderes militares da NATO e respetivos aliados. Também nesta segunda-feira foram iniciados os maiores exercícios militares em território russo desde o fim da Guerra Fria. 45.000 homens acompanhados por veículos de todos os tipos, (aviões, carros de combatem, submarinos, entre outros), estão a levar a cabo treinos por todo o território. É evidentemente uma resposta ao acumular de tropas ocidentais na Europa de Leste, onde os países da antiga União Soviética receiam futuras incursões russas.

Entretanto a Noruega efetua os seus próprios exercícios, chamados Joint Viking. Convém recordar que há poucos anos Oslo havia feito um acordo com Moscovo para a exploração de várias regiões do Ártico disputadas por ambas as nações, acordos esses que vêm sofrendo alguma pressão nos últimos tempos.

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Apesar de a Noruega jurar que os exercícios foram planeados já há muito tempo, a verdade é que o espectro da crise ucraniana pesa sobre todos os intervenientes.