A notícia que a doença de Leishmaniose estaria a travar os avanços do Estado Islâmico foi avançada pelos jornais ingleses Express, Mirror e o The Sun no início do mês de abril. Rapidamente outros meios de comunicação a nível mundial começaram a divulgar as mesmas informações. No entanto, após vários dados contraditórios, a RTP ajudou a esclarecer as informações. As más condições sanitárias, o calor e o aumento de moscas da areia, responsáveis por serem as portadoras do parasita, foram os fatores apontados pelos jornais britânicos para a proliferação da doença. Segundo estas fontes, os locais mais afetados seriam a Síria e a capital nomeada pelos jhadistas, Raqqa, com cerca de 100.000 casos detetados.

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Após a picada do inseto, a doença manifestaria-se com lacerações na pele, aumento da temperatura corporal e falência do fígado, que sem o devido tratamento médico, poderiam levar à morte do doente. Mesmo com esta ameaça, o Estado Islâmico estaria a recusar os cuidados médicos por não serem aprovados pela sharia, designação do Direito Islâmico, onde não existe separação do direito e da religião. Os Médicos Sem Fronteiras terão mesmo sido expulsos dos territórios.

No entanto, algumas questões colocam-se quanto à veracidade desta situação que apresenta contornos catastróficos. A notícia publicada no jornal Express não referia fontes credíveis, fazia apenas menção a um grupo internauta sem reconhecimento até ao momento. Já o jornal Mirror usava como fonte o jornal The Sun. Mas a principal discrepância são os números apresentados quanto aos militares afetados.

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Nas notícias publicadas, os valores indicam que 100.000 membros da organização foram infetados. Segundo o Observatório Sírio dos Direito Humanos, o número total de militares do Estado Islâmico é de 50.000. Outras fontes elevam o número para 200.000 membros na Síria e Iraque, mas nesse número são incluídos elementos com outras funções para além de militares e associados a grupos de segurança e recrutas espalhados pelas áreas dominadas pelo grupo islamita. No entanto, o surto refere-se apenas à Síria e a Raqqa.

Apesar da discrepância nos números, existe veracidade na notícia. Em janeiro de 2015 surgiu pela primeira vez o perigo de um surto de Leishmaniose na Síria devido à guerra. Nesse mês, o jornal americano The Independent alertou para o aviso feito por Washington da possibilidade das áreas ocupadas pelos islâmicos na Síria e no Iraque ficarem vulneráveis a surtos de doenças infeciosas, devido aos conflitos e à quebra dos serviços de saúde. O jornal apresentou como fonte o dr. Peter Hotz, que refere a presença da Leishmaniose na Síria desde sempre, mas que agora estaria fora de controlo, com o registo de 100.000 casos.

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O especialista afirmou ainda ao jornal que a doença não é mortal.

Não existe conhecimento da extensão do surto, uma vez que a Organização Mundial de Saúde não consegue ir em segurança às áreas afetadas. O especialista de saúde referido pelo jornal americano afirma que o perigo de surtos estende-se a outras doenças para além da Leishmaniose.