Recentemente tornou-se de conhecimento geral que Teerão e Irão estão envolvidos numa luta pelo poder do mundo muçulmano, que se traduz nos algo confusos padrões das ações militares no Médio Oriente. Um facto talvez menos conhecido desta luta, contudo, é a rivalidade entre Ancara e Riade, que já sendo antiga, divide o mundo Sunita na sua abordagem ao problema Xiita, traduzido na postura política iraniana. Não obstante, ambos os campos parecem estar agora a aproximar-se, uma vez que com o enfraquecimento gradual do Estado Islâmico, abrem-se as portas para o evidenciar das lutas de maior relevo na região. E é nesta perspetiva que a Turquia e a Arábia Saudita agora encetam um diálogo com vista a derrubar Bashar al-Assad, o ditador sírio apoiado pelo Irão.

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Segundo informações reveladas por diversos jornais, Ancara e Riade teriam começado a estruturar um plano com vista a afastar o atual governo de Damasco e que poderia muito bem avançar sem apoio americano. Esta posição é deveras interessante, e poderá evidenciar uma possível aproximação para contrariar os planos iranianos, temidos tanto pelos líderes Sunitas como por Israel. Também convém aqui referir que as negociações para a entrega de armamento ao Irão por parte da Rússia, com base no eventual levantamento das sanções após o acordo nuclear, irritaram severamente os inimigos de Teerão, que poderão estar a considerar tomar ações antes que tais reforços fiquem ativos.

No entanto, a formação desta aliança Sunita para resolver o problema relativo à Síria e ao Irão, implica jogadas políticas que em muitos casos se revelam antagónicas.

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Se por um lado Ancara e Riade sentem alguma proximidade, a verdade é que o governo de Erdogan critica cada vez mais as ações israelitas na Faixa de Gaza, conquanto o Rei Salman tolera Telavive de modo a criar uma frente comum regional que possa contar com o apoio americano, e também para manter a IDF e as suas reconhecidas capacidades combativas do seu lado.

Por outro lado, a Turquia também se opõe ao combate contra a Irmandade Muçulmana, levado a cabo pelo atual presidente egípcio Abdel Fattah el-Sisi, e que se iniciou após a deposição do democraticamente eleito Mohammed Morsi. Já a Arábia Saudita inicialmente apoiou esses esforços, para depois mudar a sua posição quando a Irmandade começou a combater os Houthis no Iémen, criando aqui outro ponto de colisão entre Ancara, Riade e Cairo.

Contudo, os iranianos poderão em breve contar também com o apoio de Washington, que espera ser capaz de manter o seu programa nuclear em espera enquanto manipula as relações entre Xiitas e Sunitas. Isto é uma abordagem inerentemente complexa e perigosa, que faz com que os Estados árabes considerem se não deveriam utilizar as suas próprias milícias para causar confusão no terreno, como Teerão sempre fez, e assim garantir nivelamento político.

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Não se surpreenda se se sentir confuso com tudo o que foi descrito acima. A situação no Médio Oriente é tradicionalmente complexa, com uma verdadeira rede de interesses antagónicos, mudanças de lados e facadas nas costas, dignas da série "Guerra dos Tronos". Segundo defendem alguns analistas, é este periclitante equilíbrio que Washington pretende ser capaz de controlar. É algo já tentado por diversas potências locais e estrangeiras ao longo da história. No cadinho de conflito que é o Médio Oriente, nenhuma o conseguiu. #Terrorismo #Política Internacional