Foi início do já chamado degelo cubano: na cerimónia fúnebre de Nelson Mandela, em Dezembro de 2013, Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos, cumprimentou Raul Castro, líder de Cuba. Este foi um aperto de mão maior do que uma simples cordialidade. Marcou o início da aproximação de dois países que estiveram de costas voltadas durante quase meio século. A crispação começou em 1959 quando a revolução cubana colocou Fidel Castro aos comandos da ilha.

Perante tal acontecimento, os Estados Unidos puseram-se em alerta por terem um líder marxista tão perto geograficamente. Numa visita oficial a Washington, o Presidente Eisenhower recusou-se a receber Fidel.

Publicidade
Publicidade

Para a história ficou a fotografia improvável de Fidel Castro no Lincoln Memorial, sendo, durante vários anos, o mais próximo que um Presidente dos Estados Unidos estaria de um líder cubano.

Em 1960, os Estados Unidos aplicam um embargo económico à ilha e, com a aproximação de Cuba à União Soviética, fecham a embaixada em Havana. Com a chegada de Kennedy à Casa Branca, chega também o momento mais tenso entre estes dois países. Em 1961, mil e quinhentos exilados cubanos, treinados pela CIA protagonizam o desastroso episódio da Bahia dos Porcos. Uma tentativa de golpe militar esmagada pelo regime cubano. O golpe reforçou a popularidade de Castro e aproximou-o de Moscovo, ao ponto de a União Soviética usar Cuba como base de mísseis secreta. A descoberta pelos Estados Unidos deixou o mundo à beira de um ataque de nervos e levou a que os americanos deixassem de usar armas e passassem a combater Cuba apenas com o embargo.

Publicidade

Desde então, os Estados Unidos tiveram oito presidentes, ora reforçando, ora aliviando a pressão sobre a ilha. Já Cuba, apenas teve Fidel Castro. A transferência de poder para o irmão Raúl abriu portas para a mudança. Um ano depois do aperto de mão na África do Sul, Cuba e Estados Unidos anunciaram a intenção de normalizar a situação. Acaba assim o fim de uma guerra "mais que fria" entre duas nações tão distantes, mesmo que a pouco mais que a 100 km uma da outra. #Política Internacional